A lista de candidatos da Aliança Democrática deverá ser apresentada e votada esta quarta-feira, em Conselho Nacional, e, apesar do habitual secretismo com que o assunto está a ser tratado pelos homens mais próximos de Luís Montenegro, existem dois pontos que vão sendo dados como adquiridos: será, no essencial, uma lista de continuidade em relação à eleição de março de 2024; e terá uma forte presença de ministros e secretários de Estado do atual Governo.
A ideia é manter uma equipa que tem dado boas garantias no Parlamento (com ajustes aqui e acolá) e, ao mesmo tempo, mostrar que o Governo está fortemente comprometido nestas eleições legislativas. Existe a convicção de que os elementos do Executivo, até pela notoriedade que conquistaram ao longo do último ano, são mais-valias eleitorais, pelo que a aposta de Montenegro surge como natural neste contexto.
A verdade é que muitos dos atuais governantes já transitaram da listas de deputados para Executivo depois das legislativas de março de 2024. Rita Júdice, Miguel Pinto Luz, Miranda Sarmento, Ana Paula Martins e António Leitão Amaro, por exemplo, foram candidatos à Assembleia da República, mas nem aqueceram o lugar e assumiram logo Ministérios.
Emídio Sousa, Silvério Regalado, Clara Marques Mendes, José Cesário, Alexandre Homem Cristo, João Moura, Inês Domingos e, claro, Hernâni Dias, cuja polémica empresa imobiliária acabou por dar lugar à crise que, meses e muitos desenvolvimentos depois, veio a resultar na queda de Luís Montenegro, tornaram-se secretários de Estado.
O mais provável é que esta presença de candidatos a governantes venha a ser reforçada nas listas que serão apresentadas esta quarta-feira, sendo que, segundo apurou o Observador, existirá um cuidado especial em promover ministros a cabeças de lista, mais uma vez como forma de tentar mostrar que o Governo está empenhado em apresentar-se ao mais alto nível nestas legislativas.
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Ora a entrada em cena de mais elementos do Governo e a promoção de uns quantos à figura de cabeça de lista obrigará, naturalmente, a que alguns candidatos a deputados desçam na numeração da lista e que outros fiquem, eventualmente, em posições de difícil eleição. Ainda assim, ninguém na AD atribui grande drama a isso — se a coligação vencer as eleições, como se acredita internamente que vencerá, os governantes saltarão para o Executivo e deixarão vagos os respetivos lugares na Assembleia da República.
O CDS tem garantida a sua presença nestas listas. Sendo que o partido mantém a expectativa de conseguir mais lugares em situação elegível nestas eleições — nas últimas legislativas, só teve direito a indicar dois candidatos, mas é provável que agora consiga ver reforçada a sua bancada parlamentar — o que depende sempre do resultado que a coligação conseguir nas urnas.
“Reforçando a votação na Aliança Democrática, o que é expectável é que o CDS ganhe força, quer no Governo, quer no Parlamento”, confessou há dias Paulo Núncio, líder parlamentar do partido, em entrevista ao Observador, no programa Vichyssoise.
O PPM de Gonçalo da Câmara Pereira não parece quer abdicar de um lugar elegível, como avançou o próprio ao Correio da Manhã no arranque desta semana. Segundo apurou o Observador, essa exigência (que os dirigentes da AD não vão satisfazer) mantinha-se válida até ao início da tarde desta quarta-feira, o que pode trazer um imbróglio jurídico à coligação.
Nas últimas legislativas, recorde-se, o grande argumento para incluir Gonçalo da Câmara Pereira, que foi praticamente escondido durante os 15 dias de campanha eleitoral, foi precisamente a necessidade de utilizar a marca “AD” criada por Francisco Sá Carneiro, Diogo Freitas do Amaral e Gonçalo Ribeiro Telles. Não há garantias jurídica de que essa sigla possa ser usada se o PPM for excluído da coligação e contestar o uso de “AD” nas próximas eleições. Aparentemente, no entanto, os homens de Montenegro e Melo estarão dispostos a pagar para ver.