Os mercados internacionais de ações voltam a registar fortes quedas nesta segunda-feira, o terceiro dia consecutivo de descidas acentuadas. Desde a noite de quarta-feira (2 de abril) os mercados acionistas em quase todo o mundo estão a ressentir-se dos receios de que as tarifas lançadas por Donald Trump nessa noite sejam o início de uma perigosa “guerra comercial” entre as maiores potências económicas. Trump continua sem dar sinais de que a queda das bolsas o leve a reconsiderar o lançamento de tarifas mais gravosas. Embora já tenha recuperado um pouco, a bolsa de Nova Iorque abriu (14h30 em Lisboa) novamente com perdas, com o índice S&P 500 a entrar no chamado “bear market” (uma quebra de 20% face ao máximo, de dezembro).
Questionado pelos jornalistas, a bordo do Air Force One, o Presidente dos EUA disse que não consegue “prever o que vai acontecer nos mercados” – “mas posso dizer-lhe que o nosso país se tornou muito mais forte e eventualmente irá tornar-se um país como nenhum outro, um país dominante no mundo em termos económicos”. Dando um ligeiro sinal de preocupação com as bolsas, Trump acrescentou que não é seu desejo “fazer nada cair”, mas o Presidente dos EUA garantiu que está disposto a aceitar a possibilidade de as bolsas continuarem a cair.
“Às vezes é necessário tomar um medicamento para tratar alguma coisa. Temos um défice comercial de um bilião de dólares com a China, penso eu, e estou disposto a negociar mas temos de resolver esta questão“, afirmou Trump. Questionado por uma jornalista sobre se existe algum limiar nos mercados financeiros a partir do qual a Casa Branca pode começar a repensar a sua política, Trump respondeu de forma agressiva: “a sua pergunta é muito estúpida“.
Com o Presidente dos EUA a não dar quaisquer sinais de poder mudar de ideias, os mercados financeiros continuam a registar uma grande aversão ao risco. Na Ásia, o índice japonês Nikkei 225 fechou a cair quase 8%, a bolsa de Xangai mais de 7% e Hong Kong derrapou mais de 13% – a maior queda desde 2008.
A meio sessão europeia, o índice lisboeta (PSI) caía cerca de 5,2% e a bolsa alemã chegou a perder mais de 8% mas recuperou um pouco para um recuo de 3,8%. Essa também foi a tendência com que abriram as bolsas americanas às 14h30 (hora de Lisboa), levando tanto o S&P 500 como o Dow Jones Industrial Average, dois dos principais índices da bolsa de Nova Iorque, a caírem 20% face aos máximos históricos fixados em dezembro.
Cerca de 45 depois do início da sessão norte-americana, porém, os mercados norte-americanos estão a esboçar uma tentativa de recuperação, com o Nasdaq a negociar em “terreno” positivo e a subir quase 1%.
Trump diz que “não há inflação” e salienta que bolsa chinesa está a cair
Ao início da manhã nos EUA, Donald Trump colocou uma mensagem na sua rede social, Truth Social, onde acusa a Reserva Federal de estar a ser “lenta” na descida dos juros apesar de “não haver inflação” (escreveu o Presidente dos EUA com letras maiúsculas). “Os preços do petróleo estão a cair, as taxas de juro estão a cair, não há qualquer inflação”, atirou Trump, depois de o líder do banco central ter admitido que as tarifas podem ter um efeito inflacionista.
O Presidente dos EUA ainda criticou a China pela retaliação anunciada na sexta-feira, salientando que a bolsa chinesa está a “afundar” – não fazendo, porém, referência aos vários dias de quedas consecutivas nos mercados dos EUA e da Europa.
“Os mercados estão a testar a determinação de Trump, mas o Presidente dos EUA continua firme“, afirmam os analistas do Commerzbank em nota de análise difundida esta segunda-feira.
Os mercados reagiram ao aumento das tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo. Pequim lançou na passada sexta-feira várias contramedidas às taxas anunciadas pelo Presidente dos EUA, Donald Trump. As medidas de Pequim incluem taxas de 34% sobre produtos oriundos dos EUA, sanções contra empresas norte-americanas, restrições à exportação de certas terras raras ou a abertura de investigações antimonopólio e ‘antidumping’ contra empresas e produtos norte-americanos.
O Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, sublinhou nesta segunda-feira, em editorial, que a aplicação pelos Estados Unidos de uma taxa adicional de 34% sobre as importações chinesas, a somar às anteriores taxas de 20%, significará uma “redução do comércio bilateral” com os EUA e “um impacto negativo a curto prazo nas exportações”.