A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, indicou nesta segunda-feira que propôs ao EUA tarifas “zero por zero” no comércio de produtos industriais. “Estamos prontos para negociar”, afirmou a responsável citada pela Agence France Presse (AFP).
O anúncio foi feito esta segunda-feira pela presidente do executivo comunitário numa declaração à imprensa em Bruxelas após uma reunião com o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, na qual, segundo revelou, foram abordados os efeitos dos novos direitos aduaneiros norte-americanos, que terão “custos enormes” para a UE e a economia mundial.
“Este é um ponto de viragem importante para os Estados Unidos, mas estamos prontos a negociar e, por isso, propusemos tarifas zero para os bens industriais, como fizemos com sucesso com muitos outros parceiros comerciais, porque a Europa está sempre pronta para um bom acordo — e mantêmo-lo em cima da mesa”, revelou a líder da Comissão Europeia na mesma ocasião, lembrando que as tarifas anunciadas pela Casa Branca na semana passada “têm custos imensos para os consumidores e para as empresas dos EUA”.
A responsável indicou que tem estado em contacto com vários representantes da indústria europeia, no sentido de se aconselhar acerca dos próximos passos que a UE deve tomar. A prioridade da UE deve ser, nesta fase, trabalhar no “fortalecimento do nosso mercado único [eliminando] as restantes barreiras” e concentrar nos “87% de comércio externo da UE que não é com os EUA”.
Isto mesmo fez parte das negociações do comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, com as autoridades americanas, iniciadas na sexta-feira após anúncios no dia anterior de novas tarifas norte-americanas de 20% aos produtos importados da UE, que acrescem às de 25% sobre os setores automóvel, aço e alumínio.
Ainda assim, de acordo com Ursula von der Leyen, essa “oferta foi feita há muito e repetidamente, por exemplo, no setor automóvel, mas não houve uma reação adequada a essa oferta”.
Após esta reunião entre Bruxelas e Oslo, que aconteceu num dia em que as bolsas europeias abriram com acentuadas quedas pelas tensões comerciais transatlânticas, a responsável salientou que a UE está “preparada para responder através de contramedidas e defender os interesses” comunitários, assegurando que “todos os instrumentos estão em cima da mesa”.
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Além disso, Ursula von der Leyen anunciou a criação de um novo grupo de trabalho com especialistas para monitorizar o impacto direto destas novas taxas norte-americanas, que irá criar uma “base de dados necessária para as medidas políticas” a serem adotadas.
Tais medidas serão concertadas com as indústrias afetadas, garantiu ainda a presidente da Comissão Europeia, que falou num “contacto estreito” com os setores industrial, siderúrgico, automóvel e farmacêutico para “trabalhar em conjunto e minimizar os efeitos mútuos”.
A UE está, ainda, focada nos “83% do comércio mundial para além dos Estados Unidos”, concluiu Ursula von der Leyen, falando no aprofundamento das relações comerciais com Mercosul, México, Suíça, Índia, Tailândia, Malásia, Indonésia “e muitos outros” blocos.
Os ministros do Comércio da UE estiveram reunidos nesta segunda-feira, no Luxemburgo, para debater as atuais tensões comerciais.