Quinta-feira foi um dia de sonho para Portugal. 50 anos depois de Fernando Ferreira ter sido o mais rápido a cortar a meta em Llodio, João Almeida rubricou a segunda vitória portuguesa na Volta ao País Basco, ao chegar a Markina-Xemein 28 segundos mais rápido que o companheiro Isaac del Toro (UAE Team Emirates-XRG) e Maximilian Schachmann (Soudal Quick-Step). Tudo aconteceu quando o Bota Lume desferiu um sensacional ataque em Izua, deixando a concorrência rapidamente para trás. Depois, teve apenas de controlar na descida, mostrando claras melhorias neste particular em relação aos anos anteriores. Para além disso, Almeida aproveitou para subir à liderança da prova, com 30 segundos de vantagem para o alemão, e ainda da classificação dos pontos.
“Na verdade, não me senti muito bem hoje. Não tinha as melhores pernas. Dei tudo o que tinha e no final fiquei em primeiro e estou muito feliz. Tenho que agradecer à equipa. Foram perfeitos. Imaginei que ia haver uma luta muito grande pela fuga. No final, para chegar à última subida, sabia que a luta seria louca. Decidi começar um pouco mais atrás e subir no meu próprio ritmo. No final estava bem, mas não estava super. Acho que todos estavam um pouco cansados de ontem [quarta-feira] e parece ter sido o suficiente. Faltam dois dias muito, muito difíceis! Vou aproveitar esta vitória e, depois, focar-me nos últimos dias”, assumiu o ciclista de 26 anos depois da vitória.
“Foi, mais uma vez, uma luta bastante longa pela fuga, que demorou um pouco para se formar. Quando a fuga finalmente se distanciou, todos estavam um pouco mortos, porque a velocidade estava demasiado alto. A etapa resumiu-se à última subida íngreme. Sabia que não seria a meu favor, mas tinha um plano claro. Sabia que, se fosse no meu próprio ritmo e lá em cima houvesse uma diferença, ainda conseguiria reduzi-la [na descida]. Foi o que fiz, mas o João [Almeida] fez uma corrida excecional e mereceu chegar à liderança”, partilhou, por sua vez, o anterior líder.
5.etaparako prest ????
???? @eitbkirolak
???? @BancoSabadell #Itzulia2025 pic.twitter.com/uDPOpNY85U
— Itzulia Basque Country (@ehitzulia) April 11, 2025
A penúltima trouxe uma ligação de 172,4 quilómetros entre Orduña e Guernica-Luno, numa tirada que contou com um traçado menos exigente, mas com o tradicional sobe e desce do País Basco. Ao todo, foram 2.650 os metros de subida acumulada, embora os primeiros 80 quilómetros tivessem sido bastante tranquilos. Contudo, na segunda metade da prova encontravam-se duas subidas de terceira categoria e outras três não categorizadas. A aproximação à meta, maioritariamente em descida, favorecia os ataques, com uma explosiva rampa de 600 metros, com pendentes de 12%, a surgir nos últimos quatro quilómetros.
[Já saiu o quarto episódio de “O Misterioso Engenheiro Jardim”, o novo PodcastPlus do Observador que conta a história de Jorge Jardim, o empresário que, na verdade, era um agente secreto que liderou missões perigosas em todo o mundo, tentou criar um país e deu início a um clã de mulheres aventureiras. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo e aqui o terceiro episódio]
Ao contrário dos últimos dias, a fuga não precisou de muito para se formar, juntando vários líderes na frente: Pello Bilbao (Bahrain-Victorious), Bruno Armirail (Decathlon AG2R La Mondiale), Ben Healy e Alex Baudin (EF Education-EasyPost), Warren Barguil (Picnic PostNL) e Julian Alaphilippe (Tudor). A vantagem nunca passou dos três minutos, com Groupama-FDJ e Emirates a assumirem o controlo do pelotão. Ainda assim, a vantagem manteve-se considerável e o irlandês aproveitou para atacar a… 55 quilómetros do fim. A resposta só apareceu dentro dos últimos 30 quilómetros, quando a Cofidis assumiu a perseguição e alcançou o resto do grupo, a 24 quilómetros de Guernica-Luno.
Ben Healy attacks!! @EFprocycling
???? @eitbkirolak
????@bancosabadell#Itzulia2025 pic.twitter.com/7mtHy227sZ
— Itzulia Basque Country (@ehitzulia) April 11, 2025
A última subida do dia serviu para haver ataques no pelotão, com Axel Laurance (Ineos Grenadiers) a partir o grupo. Almeida encontrou o seu ritmo na roda de Marc Soler e acabou por encostar no francês ainda antes da descida. Pouco depois, o trabalho do espanhol acabou e o português assumiu a perseguição sozinho, recebendo depois a companhia de Del Toro. Seguiram-se novas tentativas, de Alex Aranburu (Cofidis) e Florian Lipowitz (Red Bull-Bora-hansgrohe), o que levou os Emirates a reagir. Atrás, Schachmann cedia, mas conseguia manter-se no grupo principal. Ben Healy fez a abordagem final com pouco mais de dois minutos de vantagem e acabou por ser o mais rápido em Guernica-Luno, onde somou a primeira vitória da temporada e a nona da carreira. O irlandês foi 1.47 minutos mais rápido que Laurance, que atacou na rampa final e chegou sozinho, e 1.48 que Simone Velasco (XDS Astana).
???????????? Un ???????????????????? ???????????????????????????????????? que coge el relevo de Roche
???? Ben Healy gana la 5ª etapa de la @ehitzulia y se convierte en el primer irlandés en ganar en la prueba vasca en 36 años
????♂️ Lo has podido vivir en @Eurosport_ES y @StreamMaxES. #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/Yq1kGfQaG7
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) April 11, 2025
Na geral, João Almeida vai chegar à derradeira etapa com 30 segundos de vantagem para Maximilian Schachmann. Florian Lipowitz completa o pódio, a 38 segundos do português. A menos de um minuto estão ainda Ilan van Wilder (Soudal) e Mattias Skjelmose (Lidl-Trek), respetivamente com 49 e 50 segundos de desvantagem.