A Google tem um domínio ilegal na área da tecnologia para publicidade online, decidiu esta quinta-feira a juíza federal Leonie Brinkema, do estado da Virgínia, nos EUA. É mais um contratempo legal para a gigante da internet, que no ano passado foi acusada de ter um monopólio na área da pesquisa. 

A Google tem um monopólio na pesquisa. O que significa a decisão do maior caso de Concorrência contra uma big tech em mais de 20 anos

Na decisão contra a empresa, a juíza federal argumenta que a Google violou a lei “ao adotar ações anticoncorrência para criar e manter um monopólio de poder no servidor de publicação de anúncios e nos mercados de troca de anúncios para publicidade online”. Foi considerado que a Google, ao ter um monopólio nesta área, conseguiu cobrar preços mais altos e obter valores mais altos de comissão por cada venda de publicidade.

“Ao longo de mais de uma década, a Google uniu o servidor de publicação de anúncios e a troca de anúncios através de políticas contratuais e integração tecnológica, o que permitiu à empresa estabelecer e proteger o seu poder de monopólio nos dois mercados”, concretizou a juíza.

“Além de privar os rivais da possibilidade de concorrer, esta conduta de exclusão prejudicou substancialmente os clientes publishers da Google, o processo concorrencial e, em última instância, os consumidores de informação na web aberta”, justificou a juíza.

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O caso vem de 2023, quando o Departamento de Justiça dos EUA e um grupo de estados processaram a Google pela atividade na publicidade. Só numa área é que a juíza considerou que a empresa não tem um comportamento de monopólio: nas redes de anúncios.

“Ganhámos metade do caso e vamos recorrer da outra metade”, disse Lee-Anne Mulholland, vice-presidente de questões regulatórias da Google numa nota enviada ao The Verge. “O tribunal considerou que a as nossas ferramentas de anúncios e as nossas aquisições, como a DoubleClick, não penalizam a concorrência.” Esta responsável da Google considera ainda que “os publishers têm muitas opções e que escolheram a Google porque as ferramentas de anúncios são simples, acessíveis e eficazes”.

A decisão conhecida esta quinta-feira é o resultado de um julgamento que decorreu ao longo de três semanas, em setembro de 2024.

Segundo a Reuters, esta decisão pode agora levar os procuradores a tentar separar os produtos de publicidade da Google. O Departamento de Justiça dos EUA já defendeu que a empresa deve vender pelo menos a Google Ad Manager.

No âmbito do outro caso em que é acusada de ser um monopólio, a Google também se arrisca a perder outros ativos de negócio. No ano passado, o Departamento de Justiça dos EUA defendeu que a Google deve vender o navegador Chrome para tentar desfazer o monopólio.

Justiça dos EUA quer forçar Google a vender o navegador Chrome para quebrar monopólio

(Atualizada às 17h01)