Se a Google for efetivamente obrigada a vender o Chrome, o navegador mais popular do mundo, a OpenAI tem interesse em comprá-lo, garante um executivo da dona do ChatGPT. “Sim, estaríamos [interessados], assim como tantas outras partes”, afirmou Nick Turley, líder de produto do ChatGPT, em tribunal.

O executivo revelou esta intenção esta terça-feira, numa intervenção durante o julgamento sobre o monopólio da Google na pesquisa. Nesta fase do julgamento, em Washington, o juiz Amit Mehta ouve os argumentos das partes envolvidas para tomar uma decisão sobre os remédios a aplicar à empresa para pôr fim ao comportamento de monopólio.

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Uma das opções de remédios propostas pelo Departamento de Justiça (DOJ) dos EUA, que apresentou o processo contra a Google em 2020, é justamente a venda do Chrome. Este é o navegador mais usado do mundo e, segundo o DOJ, dá vantagem à Google na promoção do uso do motor de pesquisa da empresa.

O executivo da OpenAI foi ouvido em tribunal como testemunha do DOJ. Segundo a Reuters, indicou em tribunal que, no ano passado, a Google recusou em agosto uma proposta da OpenAI para que a tecnologia de pesquisa desenvolvida pela gigante fosse integrada no ChatGPT. O contacto foi feito quando a OpenAI teve “questões” com o seu próprio fornecedor de motor de pesquisa. Em tribunal, o executivo não mencionou diretamente o fornecedor. Porém, é conhecido que o ChatGPT usa tecnologia de pesquisa do Bing, da Microsoft (uma das principais investidoras da OpenAI).

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“Acreditamos que ter vários parceiros, e em particular a API [interface de programação de aplicações] da Google, nos permitiria disponibilizar um produto melhor aos nossos utilizadores”, indicou a OpenAI num email enviado à Google no ano passado, que foi apresentado no julgamento.

O executivo da OpenAI referiu ainda que a empresa está a sentir dificuldades com a distribuição do ChatGPT. Reconheceu que a parceria com a Apple para integrar o ChatGPT no iPhone é um caminho, mas admitiu que a empresa não tem tido sucesso nos contactos com os fabricantes de smartphones Android, que representam a maioria do mercado de telemóveis.

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A Google tem o seu próprio ecossistema de inteligência artificial (IA) e, no telemóvel, disponibiliza o assistente Gemini AI. A empresa tem uma parceria com a sul-coreana Samsung, que envolve o pagamento para que o Gemini seja pré-instalado nos telefones da marca. A Google declarou que não há um acordo de exclusividade com a Samsung, mas o executivo da OpenAI afirmou que a empresa não tem tido sucesso nos contactos com a fabricante sul-coreana. “Não foi por falta de tentativas”, afirmou Nick Turley. “Nunca chegámos ao ponto de poder discutir termos concretos”, cita a Bloomberg.

O ChatGPT, que foi lançado em novembro de 2022, tornou-se no produto de consumo a chegar mais rapidamente a um milhão de utilizadores. Em fevereiro deste ano, a OpenAI revelou que a empresa tem 400 milhões de utilizadores ativos que todas as semanas interagem com o chatbot.

Se o tribunal forçar a Google a vender o Chrome, será a primeira vez que há uma divisão efetiva de uma grande empresa norte-americana desde a divisão da AT&T, na década de 80, refere a Bloomberg.

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