O impacto da guerra comercial iniciada por Donald Trump está a sentir-se nos EUA, com menos despesas, viagens, turistas, mas também empregos, apontou esta quarta-feira a Reserva Federal (Fed), no seu Livro Bege, que reflete a conjuntura da economia do país.

“Em várias regiões (do Sistema da Reserva Federal), as perspetivas degradaram-se consideravelmente, devido ao aumento da incerteza económica, em particular ligada às taxas alfandegárias“, apontou-se na publicação divulgada esta quarta-feira, que recolhe informação de operadores e analistas.

Segundo Trump, a forte subida das taxas alfandegárias sobre as importações dos EUA vai permitir a relocalização de atividades e empregos no país e gerar receitas públicas para financiar a baixa de impostos.

EUA admitem que atual nível de impostos com China não é sustentável

Mas, a curto prazo, a este protecionismo está a abalar a primeira economia mundial, cujo pilar principal é o consumo dos seus habitantes.

Durante a preparação da publicação, que fechou em 14 de abril, “as despesas de consumo, com exceção do automóvel, foram mais baixas, no seu conjunto”.

Por outro lado, a Fed apontou que “a maior parte das regiões constataram vendas de automóveis e bens duradouros (como móveis), entre o moderado e o robusto“, mas, relativizou, “estas foram atribuídas a uma pressa para comprar”, antes que as taxas alfandegárias façam subir os preços.

FMI estima aumento de 2,8 pontos percentuais da dívida pública mundial este ano

“As viagens de turismo e negócios diminuíram e várias regiões reportaram mesmo uma baixa do número de visitantes estrangeiros“, detalhou-se.

A Fed realçou ainda que “a maior parte das empresas” consultadas tenciona repercutir os seus agravamentos de custos nos seus preços de venda.

Sobre o emprego, “várias regiões relataram que as empresas estão na expectativa, suspendendo ou diminuindo as contratações, até que haja mais clareza sobre as condições económicas”.

Banco Central Europeu indica que principais empresas da zona euro suspendem investimentos

Pior: “Houve um aumento de informações dispersas segundo as quais várias empresas preparam-se para fazer despedimentos”.

Por fim, e o seguimento de o governo de Trump estar empenhado na redução, a marcha forçada, da despesa pública e da dimensão do aparelho de Estado federal, o Livro Bege destacou que “os cortes nas subvenções federais, bem como uma diminuição dos donativos filantrópicos, provocaram carências nos serviços fornecidos por numerosas organizações”.

[Já saiu o sexto e último episódio de  “O Misterioso Engenheiro Jardim”, o novo PodcastPlus do Observador que conta a história de Jorge Jardim, o empresário que, na verdade, era um agente secreto que liderou missões perigosas em todo o mundo, tentou criar um país e deu início a um clã de mulheres aventureiras. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro, aqui o quarto e aqui o quinto episódio]