Um quadro de um dos pintores modernistas mais influentes, Mark Rothko, avaliado em 50 milhões de euros, foi retirado de uma exposição após ter sido danificado por uma criança, no Museu Boijmans Van Beuningen, em Roterdão, nos Países Baixos, na semana passada.
A obra intitulada Grey, Orange on Maroon, No. 8 (1960) pertence ao falecido pintor norte-americano considerado uma figura crucial na corrente modernista no pós-Segunda Guerra Mundial, tendo ficado conhecido pelos seus quadros monocromáticos.
Uma porta-voz do museu disse à BBC que os danos foram provocados “num momento de descuido”, quando uma criança tocou no quadro que estava na exposição.
Os estragos foram superficiais, mas ficaram visíveis “pequenos riscos na camada de tinta não envernizada na parte inferior da pintura“.
A tela encontrava-se exposta no Depot Boijmans Van Beuningen, espaço adjacente ao museu, onde várias obras de pintores como Pieter Bruegel e Salvador Dalí foram colocadas, como parte de um exposição de “favoritos do público” — uma vez que o edifício principal foi encerrado até 2030 para obras.
O quadro, adquirido pela instituição em 1970, é uma das atrações principais do museu, já que, nos Países Baixos, há somente duas obras do artista. Para além de ser uma raridade, Grey, Orange on Maroon, No. 8 é também uma das peças mais caras do museu, tendo sido avaliada entre os 40 e 50 milhões de euros, há três anos, pelo colecionador de arte Bert Kreuk.
A mesma porta-voz adiantou que continuam à espera “dos próximos passos para o tratamento da pintura”, acreditando que “o trabalho possa ser exibido novamente no futuro”. Neste momento, o quadro encontra-se em processo de avaliação da extensão dos danos.
O problema que os especialistas contactados encontraram perante um eventual processo de restauro, deve-se ao facto de ser “uma pintura moderna sem verniz”, o que torna a obra em questão mais “suscetível a danos” afetando significativamente “a experiência de visualização da peça”.
Jonny Helm, gerente de marketing do serviço de restauração de arte Plowden & Smith, adiantou à BBC que o restauro de obras de Mark Rothko são complicadas, já que “a mistura de pigmentos, resinas e colas do artista era bastante complexa“. E o facto de o quadro não ter sido revestido por verniz, significa que está “aberto ao ambiente” – representando um desafio adicional aos responsáveis pelo restauro.
O museu não indicou quem seria o responsável pelos custos de reparação da obra, e acrescentou que não iria partilhar imagens do estado do quadro. A instituição em causa já tinha pedido anteriormente aos visitantes que assumissem os custos de reparação de danos causados em obras de arte. No entanto, o causador é uma criança, o que exige que o processo seja tratado de forma diferente.
Esta não é a primeira vez em que uma obra é danificada pelo público no Museu Boijmans Van Beuningen. Em 2011, uma peça artística criada pelo artista holandês Wim T. Schippers provocou alguma confusão nos visitantes. A Plataforma de Manteiga de Amendoim consistia numa instalação composta por uma camada espessa de manteiga de amendoim espalhada diretamente no chão que ocupava uma área de 4 a 14 metros, tendo sido pisada três vezes por alguns visitantes que não foram avisados. Neste caso, os responsáveis pelos danos receberam a fatura dos custos de limpeza da obra.