Valerie, uma cadela-salsicha com menos de quatro quilos, desapareceu em 2023 quando acampava com os seus donos na selva da Ilha dos Cangurus, a cerca de 45 minutos do continente australiano. Na sexta-feira passada, 528 dias depois, foi resgatada com vida.
A dachshund fugiu em novembro de 2023 na Stokes Bay, quando Georgia Gardner e o seu namorado, Joshua Fishlock, deixaram Valerie sozinha enquanto foram pescar. Quando regressaram, a cadela já tinha desaparecido. A equipa da Kangala Wildlife Rescue, responsável pelo resgate, indica, numa publicação no Facebook, que a cadela teria tentado seguir a sua família no caminho até à praia, acabando por ficar para trás. Outros campistas, que se encontravam no local, ainda a tentaram resgatar, mas as tentativas de salvamento tiveram o efeito contrário: Valerie, assustada, acabou por fugir. Inicialmente, ainda se escondeu debaixo de um carro estacionado no local. Porém, momentos depois, a cadela salsicha acabou mesmo por escapar para o meio do mato.
Apesar das constantes buscas do casal e da população da ilha nos dias seguintes, Valerie apenas foi vista pela primeira vez em março deste ano. ”Ninguém imaginava que uma pequena teckel como Valerie sobreviveria sozinha na natureza, mas mais de 12 meses depois de seu desaparecimento, começaram a surgir relatos regulares de uma dachshund com uma coleira rosa a cerca de 15 quilómetros de Stokes Bay”, relatou a Kangala Wildlife Rescue.
O primeiro avistamento da cadela-salsicha, após um ano e cinco meses, reiniciou o processo de buscas que envolveu “mais de 1.000 horas de voluntariado e mais de 5.000 km percorridos”. O esforço da organização sem fins lucrativos incluiu a instalação de câmaras de vigilância reforçadas com sistemas de transmissão starlink e a construção de uma casota totalmente equipada com os brinquedos favoritos de Valerie, a sua cama, as roupas da dona Gardner e comida escondida.
No dia 14 de abril, os voluntários informaram nas redes sociais da organização que a cadela visitou regularmente a casota. Porém, o resgate não foi concretizado nesta altura “devido à abundância de vida selvagem e à constante mudança de horário da Valerie”. Perante este cenário, a equipa da Kangala Wildlife Rescue decidiu aguardar que a cadela ganhasse confiança no ambiente preparado para parecer a sua casa.
O momento perfeito aconteceu no dia 25 de abril através de um objeto especial: uma camisola de Georgia Gardner, dona de Valerie. Os diretores da organização Kangala, Jared e Lisa Karran, revelaram, em um vídeo de 15 minutos publicado na página de Facebook do grupo, que a peça de roupa foi rasgada e usada como forma de atrair a cadela para uma posição perfeita de salvamento. Quando Valerie foi para o canto da casota, Jared conseguiu entrar e fechar a porta: “Felizmente, funcionou tudo perfeitamente”.
“Inicialmente, ela vinha para perto de nós e cheirava. Nós simplesmente seguíamos os passos dela”, contou Lisa Karran que, durante a operação de resgate, recorreu aos pedaços de roupa de Gardner para conseguir manter a cadela calma. Após momentos de correria e agitação, Valerie acabou por adormecer. “Ela simplesmente enrolou-se e adormeceu”, revelou Jared Karran, diretor da Kangala.
Em entrevista ao jornal Adelaide Advertiser, e citado pelo jornal The Guardian, Karran afirmou estar “surpreendido” com a capacidade de sobrevivência de Valerie e revelou suspeitar que a cadela tenha vivido à base de uma dieta de animais atropelados para conseguir sobreviver. Já o professor de veterinária da Universidade de Sidney Paul McGreevy, citado também pelo mesmo j0rnal, afirmou que os cães da raça dachshund são extremamente “engenhosos”. “Hipoteticamente, ela poderia comer pássaros, sapos e ratos. E, infelizmente, a realidade é que os cães são oportunistas e comem matéria fecal”, revelou.
“Para qualquer pessoa que já perdeu um animal de estimação: nunca perca a esperança”, escreveu a dona de Valerie no Facebook. Na mesma publicação, Gardner diz estar “extremamente grata ao Kangala Wildlife Rescue e à comunidade da Ilha Kangaroo”. A organização garante que está a trabalhar para garantir que Valerie consiga reunir-se com a família de forma segura e rápida, “sem mais traumas e stresses”.
Texto editado por Dulce Neto