O partido Reform de Nigel Farage lidera os resultados provisórios das eleições locais no Reino Unido realizadas esta quinta-feira e ganhou a eleição para a Câmara dos Comuns no círculo eleitoral de Runcorn e Helsby, no noroeste de Inglaterra, ao Partido Trabalhista por seis votos.
Farage já reagiu à projeção dos resultados, que é muito favorável ao seu partido, celebrando abertamente a vitória. O líder do partido de direita radical disse que estas eleições marcam “o princípio do fim para o Partido Conservador”, a quem o Reform ganhou lugares em várias autarquias.
"This is the beginning of the end of the Conservative Party."
Reform UK leader @Nigel_Farage speaks from Consett as his party takes control of Lancashire Council, adding "We are clearly the main challengers to Labour in the Midlands and the North."https://t.co/TC2ROCL7wW pic.twitter.com/JTKO7xChrY
— Sky News (@SkyNews) May 2, 2025
O líder do partido de direita radical, cujo ativismo político contribuiu para o Brexit, garantiu que os conservadores se tornaram um “obstáculo” para o Reform, considerando que o partido que esteve no governo do Reino Unido de 2010 a 2014 “não tem futuro” e “deixou de existir”. À lider do Partido Conservador, Farage rejeitou um acordo à direita contra os Trabalhistas e garantiu: “Nós vamos ganhar as próximas eleições sozinhos.”
Nas eleições locais realizadas esta quinta-feira, apenas parte das autarquias britânicas foram a votos. Às 17h de sexta-feira, tinham sido apurados os resultados de 12 das 24 regiões em disputa.
Se os dados provisórios apontam para o Partido Conservador como o maior derrotado, o Partido Trabalhista também deverá sofrer uma perda substancial de assentos em órgãos autárquicos por todo o país. No seu discurso de vitória, Farage endereçou uma mensagem sarcástica ao primeiro-ministro britânico Keir Starmer: “Continua a fazer o que estás a fazer.”
Reform aproveita eleições intercalares na Câmara dos Comuns
Na eleição para o lugar na Câmara do Comuns que também foi esta quinta-feira a votos, Sarah Pochin do Reform foi declarada vencedora na região de Runcorn e Helsby. Em segundo lugar, ficou a trabalhista Karen Shore, que tinha como missão manter um assento ganho pelo Labour em julho com 53% dos votos.
O antecessor Mike Amesbury foi forçado a demitir-se depois de ter sido condenado a 10 semanas de prisão por ter esmurrado um eleitor em outubro passado. No final da segunda contagem, Pochin e Shore ficaram empatadas com 38,7% dos votos, mas com uma diferença de seis votos.
O líder do Reform, Nigel Farage, considerou este “um momento muito, muito importante” para a política britânica, que mostra que o Reform não é “um partido de protesto, embora haja muito para protestar”. Com este triunfo, o partido passa a ter cinco deputados na Câmara dos Comuns. Rupert Lowe, eleito no ano passado, foi suspenso recentemente após criticar Farage.
Conservadores são principal vítima do crescimento do Reform
Os resultados provisórios das eleições locais apontam também para uma vantagem para o Reform, que já garantiu a presidência (mayor) da região de Greater Lincolnshire e está em vantagem em Staffordshire e em Northumberland.
O Partido Trabalhista reteve a presidência das três regiões de Tyneside Norte, Oeste de Inglaterra e Doncaster, mas sempre com os reformistas por perto. O principal partido da oposição tinha a maioria dos cerca de 1.650 lugares de deputados municipais (councillor) que foram a votos em 24 das 317 autarquias inglesas. Embora o governo do Partido Trabalhista não esteja em causa, estas eleições são consideradas uma forma de medir a opinião pública apenas 10 meses depois da vitória nas legislativas de 2024.
O sistema eleitoral britânico favorece os grandes partidos e os trabalhistas obtiveram uma esmagadora maioria absoluta em julho, mas com apenas 33,7% dos votos. Esta foi a percentagem mais baixa de um partido a ganhar uma eleição geral desde a Segunda Guerra Mundial.
Segundo as sondagens de opinião, os britânicos estão cada vez mais desiludidos com os dois principais partidos, preocupados com a falta de crescimento económico, com a imigração ilegal e com a deterioração dos serviços públicos.
Estas eleições locais são também um teste para a líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, que assumiu as rédeas do partido no final do ano passado, após a derrota nas eleições legislativas. O politólogo John Curtice, da Universidade de Strathclyde, afirmou na BBC que os resultados mostram que a política no Reino Unido está a fragmentar-se e que “os reformistas representam agora uma grande ameaça tanto para os conservadores como para os trabalhistas”.