O banco central dos EUA, a Reserva Federal (Fed), voltou nesta quarta-feira a manter taxas de juro inalteradas – mais uma vez ignorando a pressão de Donald Trump para que a autoridade monetária que controla o dólar reduza as taxas de juro. Além de não mexer nas taxas de juro, a Fed, liderada por Jay Powell, salientou no comunicado que a incerteza em torno das perspetivas económicas “aumentou ainda mais” – um alerta que também irá acentuar o conflito entre a Fed e a administração Trump.
A Reserva Federal manteve as taxas inalteradas desde a reunião de política monetária de dezembro, ao passo que o Banco Central Europeu (BCE) já cortou as taxas três vezes este ano. Embora Trump peça juros mais baixos, parte da explicação para o facto de a Fed não estar a baixar os juros está relacionada com a “guerra comercial” lançada por Donald Trump desde que tomou posse e sobretudo a partir do dia 2 de abril.
“O nível dos aumentos tarifários anunciados até agora é significativamente maior do que o previsto”, disse o presidente do Fed, Jerome Powell, em 16 de abril, num evento em Chicago. O líder da Fed disse que existe o risco de “nos encontrarmos num cenário desafiador em que nossas metas de duplo mandato estejam em tensão” uma com a outra, afirmou Jay Powell, referindo-se aos dois mandatos da Fed: controlar a inflação e fomentar o mercado de trabalho e a atividade económica.
No comunicado divulgado nesta quarta-feira, a Fed assinala que tanto os riscos de inflação demasiado elevada como os riscos relacionados com o mercado de trabalho estão a subir.
Jay Powell está há vários meses sob pressão da Casa Branca mas Donald Trump garantiu, neste último fim de semana, que não tem planos de (tentar) demitir o líder da Reserva Federal. O Presidente dos EUA voltou, no entanto, a criticar – ou, mesmo, insultar – o maior responsável pela política monetária dos EUA, chamando-lhe “um completo medricas“.
Reserva Federal. Jay Powell é um “completo medricas” mas Trump reitera que não irá tentar demiti-lo
Taxas de juro mais baixas levariam não só a custos mais baixos no refinanciamento da dívida federal (deixando mais margem orçamental para outras despesas e ajudando a controlar o défice) como, também, a juros mais baixos na concessão de crédito a toda a economia – empresas e famílias.