Depois de se ter sentido mal durante um comício em Tavira, André Ventura passou a noite num quarto da Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) do hospital de Faro no âmbito de um protocolo VIP por se tratar de uma figura política. Problema: o líder do Chega recebeu o mesmo atendimento que o seu partido tinha criticado no final de março, quando o primeiro-ministro teve de ser internado.
Pedro Pinto, o líder parlamentar do Chega, não vê aqui qualquer incongruência ou tratamento de privilégio. Em declarações aos jornalistas, esta quarta-feira à tarde, fez a distinção: “André Ventura entrou [no hospital] numa ambulância do INEM e não pelos próprios meios como o primeiro-ministro, e isso faz toda a diferença”.
Quanto ao tratamento VIP, Pedro Pinto sublinhou que “André Ventura é um líder político especial, é ameaçado e atacado nas ruas”, recordando como na terça-feira à noite “havia pessoas à porta do hospital a festejar porque Ventura estava internado”. Perante a insistência dos jornalistas, o líder parlamentar do Chega rematou: “Não podem querer que o André Ventura vá para uma cama onde ao lado esteja por exemplo alguém de etnia cigana. Temos de perceber que existe um protocolo, estamos a falar de um órgão de soberania, André Ventura é o líder de um partido que é a terceira força política em Portugal”.
Quando André Ventura deu entrada no hospital, devido a um “espasmo esofágico”, foram seguidos os protocolos normais para estes casos, confirmou o presidente do Conselho de Administração do Hospital de Faro. O político esteve num quarto individual apenas para assegurar a sua privacidade como previsto no tal protocolo VIP por se tratar de uma figura conhecida, disse Tiago Botelho aos jornalistas à porta do hospital.
Recentemente, o primeiro-ministro recebeu um tratamento semelhante quando esteve internado no Hospital de Santa Maria. Luís Montenegro deu entrada nesta unidade de saúde no dia 28 de março devido a um episódio de arritmia cardíaca. No dia seguinte, o Correio da Manhã escrevia que o chefe de Governo tinha sido encaminhado para um “circuito interno” e dedicado a altas figuras do Estado, o que motivou as críticas do Chega.
“Assim é fácil dizer que o SNS funciona bem e que os tempos de espera são cumpridos!”, lê-se numa publicação no Facebook do Chega um dia depois de Montenegro ter sido internado e que remetia para o artigo do CM. “Difícil é o que acontece à maioria dos portugueses nos hospitais públicos todos os dias!”, acrescentava o partido.
André Ventura foi internado depois de uma tarde em ações de campanha em Tavira, durante as quais criticou o estado da saúde no Algarve e o “caos de macas deixadas nos corredores” do hospital de Faro, que descreveu como “um símbolo do estado em que PS e PSD deixaram a saúde.”
Criticando Montenegro diretamente, André Ventura afirmou que o primeiro-ministro “nunca foi ao Hospital de Faro para ver o que lá se passa às duas ou três da manhã”. E, referindo-se a “centenas de nomeações de pessoas com o cartão do PSD” no último ano, prometeu que “quando o Chega tomar posse como Governo dois terços desta malta que entrou com cartão partidário vai ser corrida no dia seguinte.”
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Depois de ter alta na manhã desta quarta-feira, o líder do Chega publicou nas redes sociais um vídeo em que agradecia as mensagens de apoio e o cuidado dos profissionais de saúde do Hospital de Faro. “Foram impecáveis comigo, preocupados, dedicados até à última hora”, destacou.