Em menos de 48 horas, é a segunda vez que André Ventura se sente mal em plena campanha eleitoral do Chega. Esta manhã foi retirado de uma arruada em Odemira, após ir com a mão ao peito, tal como tinha acontecido na noite de terça-feira, num comício em Tavira, episódio que ficou diagnosticado como um espasmo esofágico associado a um pico de tensão arterial e ao stress.
Na tarde desta quinta-feira foi transferido para o Hospital de Setúbal para fazer um cateterismo — procedimento médico utilizado para diagnosticar e tratar problemas cardíacos, onde um cateter é inserido numa veia ou artéria e guiado até o coração.
Guilherme Macedo, diretor do Serviço de Gastroenterologia do Hospital de São João e professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, afirmou ao Observador, ainda antes de ser conhecido o seguimento clínico a dar ao caso de Ventura, que no limite lhe parecia “necessário fazer um cateterismo cardíaco para ver se há problema coronário”. “Tem de se garantir que não existe nada coronário”, assegurou.
O especialista em gastroenterologia diz que o episódio desta quinta-feira não coloca necessariamente em causa o diagnóstico feito anteontem. “Não é comum tanta expressividade em tão pouco tempo. Mas não é inédito”, esclarece, em relação ao espasmo esofágico.
“Há pessoas que são um pouco mais tolerantes, umas menos. A forma de reagir não faz o diagnóstico“, afirma ainda, notando que a “patologia do esófago por vezes é incapacitante” e que “perturba a qualidade de vida”.
O médico diz ainda que é “questionável se [Ventura] devia ter voltado à campanha”.
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Espasmos podem estar relacionados “com stress emocional” ou “alimentos agressivos”
Guilherme Macedo adianta a hipótese de o líder do Chega ter uma “perturbação motora do esófago, que simula patologia cardíaca”, que é “despertada por refluxo ácido”.
“O esófago é uma estrutura muscular que une a faringe ao estômago, com movimento e enervação própria. Essa estrutura por vezes tem perturbações, e caracterizam-se por espasmos e alteração do ritmo de contração do esófago”, esclarece.
Estes espasmos podem estar relacionados “com stress emocional , com alimentos agressivos”. E embora não seja comum que um episódio destes se repita, pode acontecer, reforça.
“É mandatário fazer uma endoscopia“, afirma, garantindo que se houver diagnóstico desta perturbação motora é necessário um acompanhamento por gastroenterologistas.