Na varanda da Assembleia da República, Joana Amaral Dias declara-se a “deputada de todos os portugueses” e diz que é “urgente” que o Parlamento “deixe de ser um local do crime e passe, de uma vez por todas, a ser a casa da democracia, a casa do povo”. O Observador sabe que a cabeça de lista do ADN por Lisboa entrou esta sexta-feira na Assembleia da República como convidada de Miguel Arruda, deputado que está acusado de oito crimes de furto qualificado no aeroporto de Lisboa, num caso que envolve malas. Sem autorização para gravar, Joana Amaral Dias, fez os vídeos até ser detetada por um segurança.
Num vídeo partilhado na rede social Instagram, Joana Amaral Dias mostra-se a discursar na varanda do Parlamento e diz estar naquele local para “defender os portugueses, para defender Portugal”. “Este regime está podre, estas elites políticas roubam o povo”, acusa, salientando que é “urgente que o povo, as suas liberdades, as suas garantias, os seus interesses, os seus anseios e os seus sonhos estejam definitivamente representados na Assembleia da República”.
Dizendo que “há dinheiro para devolver Portugal aos portugueses”, a candidata do ADN explica que, para que isso aconteça, é necessário “estancar a sangria, a derrama que é deitada todos os dias no Parlamento”. “Por isso, estamos aqui, para, de uma vez por todas, devolver Portugal aos portugueses. Devolver-lhes o seu dinheiro, retornar-lhes o seu país, restituir-lhes a liberdade“, acrescenta.
De seguida, Joana Amaral Dias declara não ter medo das “elites pútridas” que “se julgam acima da lei, que pensam que são pequenos deuses”. “Comigo e com o ADN não passam mais”, atira, antes de terminar o discurso com um “viva Portugal e viva os portugueses”.
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A descrição do vídeo, esta sexta-feira partilhado, é muito semelhante ao discurso proferido por Amaral Dias, mas há ainda espaço para a promessa de que com o ADN os problemas “reais” dos portugueses teriam expressão, desde a pobreza, ao “abandono” ou ao “défice de cuidados médicos”. “Basta de roubos, deprezos e abusos”, lê-se, antes de a candidata reiterar que é a “deputada de todos os portugueses” e que “luta” pela pátria.
Na primeira semana da campanha eleitoral, o ADN já tinha estado na Assembleia da República, mas apenas do lado de fora. Nessa ação, o partido colocou fitas amarelas — a que chamou “fitas do crime” — nas grades para dizer que o Parlamento se tinha transformado num “local de crime”. Além disso, colocou vários sacos azuis para questionar para onde é que vai o “dinheiro dos contribuintes”.
“Todos os anos acontece aqui um crime. Este é um local de crime. O Parlamento português transformou-se num local de crime porque todos os anos no Orçamento do Estado são roubados milhões e milhões de euros aos portugueses. Este ano, no saco azul, naquilo que chamam de despesas excecionais e que perfazem 10% deste orçamento, estão 13 mil milhões de euros”, afirmou Joana Amaral Dias, na altura em que foi realizava essa ação de campanha.
Legislativas. ADN diz que AR “se transformou num local de crime”