Há uma nova força na Assembleia da República. O Juntos pelo Povo (JPP) elegeu pela primeira vez um deputado: Filipe Sousa, pelo círculo eleitoral da Madeira, um dos 10 em que o partido concorria (Coimbra, Braga, Faro, Setúbal, Porto, Lisboa, Açores, Europa e Fora da Europa). Nas eleições de 10 de março do ano passado, o partido tinha ficado àquem do objetivo de eleger, uma vez que obteve apenas um total de 19.145 votos (0,31%).
Este ano a história não se repete. Em clima de festa, numa primeira reação à eleição, Filipe Sousa, que chegou a ser militante do PS durante 10 anos, disse que sente que pode fazer a diferença e adiantou que pretende levar “este projeto de comunidade, proximidade, ao todo nacional”. Por outro lado, o mais recente deputado mostrou-se preocupado com o crescimento do Chega: “Eu já tive oportunidade de dizer que quando os governos falham, os extremismos aumentam”, afirmou, falando num “dia histórico”.
Na reta final da campanha eleitoral, o cabeça de lista do JPP pelo círculo da Madeira tinha-se mostrado confiante de que o partido ia fazer história este domingo — algo que se veio a confirmar — ainda que reconhecesse que sentia um “nervoso miudinho”. “Acima de tudo, nesta reta final, o que eu gostaria de pedir aqui à população madeirense e porto-santense é que depositem confiança no JPP porque seguramente vamos fazer história”, disse, numa declaração que foi das últimas em que teve oportunidade de apelar ao voto.
O JPP, o único com representação parlamentar a ter sede nacional nas regiões autónomas, começou como um movimento de cidadãos que se propunha a fazer frente ao “jardinismo” e que foi criado por Filipe Sousa e pelo irmão, Élvio, a partir da pequena freguesia de Gaula, na Madeira. Desde então, o Juntos pelo Povo tornou-se um partido e apresentou-se a eleições autárquicas, regionais e nacionais. A primeira vitória que alcançou foi nas autárquicas de 2009. Depois, ao longo dos anos, tem conseguido eleger para o parlamento madeirense. Nas mais recentes eleições regionais, em março deste ano, foi a segunda força mais votada e conseguiu eleger 11 deputados.
JPP soma vitória eleitoral na Madeira. Afinal, qual é o segredo do partido dos “irmãos gauleses”?
Impulsionado por esse resultado, o JPP, que concorria pela quinta vez consecutiva em legislativas nacionais, não escondia que pretendia eleger. E conseguiu: Filipe Sousa, que foi presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz desde 2013 até este ano (suspendeu a função para se candidatar às legislativas), é deputado.
Durante a campanha eleitoral, o mais recente deputado antecipou que o partido poderia ser “o fiel da balança”, adiantando que, dependendo dos resultados, pode “jogar para a direita ou para a esquerda”. “Eu não gosto de fazer futurismo, mas uma coisa eu posso dizer: sempre gostei de jogar futebol e a minha posição favorita era médio-centro, era o distribuidor, portanto temos de olhar para o coletivo e podemos jogar para a direita ou para a esquerda, tudo depende da posição dos extremos”, declarou, nessa altura, salientando desde logo que queria ser a voz das ilhas, da população da Madeira e do Porto Santo.
Desde o início que o JPP se preocupa em vincar a sua imagem de partido do povo, preocupado com as pessoas e a falar para elas, dizendo-se “sem ideologia, mas de base humanista”.
JPP diz que poderá ser “o fiel da balança” e “jogar para a direita ou para a esquerda”