O país foi a votos, antecipadamente, neste domingo, 18 de maio. A AD ganhou as eleições, sem maioria. Faltando, ainda, os votos da emigração, a AD vai com vantagens, mas sem conseguir maioria. Tem mais votos que a esquerda, mas o Chega comprometeu-lhe uma maioria maior.

AD com mais deputados do que a esquerda

Não conseguiu maioria no Parlamento, mas a AD conseguiu ter mais deputados que as esquerdas. Neste momento, e faltando ainda atribuir os mandatos da emigração, a AD tem 89 deputados (incluindo os dos Açores, círculo no qual foi coligado com o PPM), mais do que os 69 de todos os partidos à esquerda (incluindo-se aqui o PAN). Fora desta conta fica o JPP, que conseguiu um deputado. Mesmo contando todos os outros partidos (com exceção do Chega e IL) os deputados da esquerda não chegam para ultrapassar a AD. A IL com nove deputados não permite à AD ter maioria.

O Chega ficou com 58 deputados.

Em termos de votos, a AD ficou com 1,95 milhões; enquanto as esquerdas (incluindo o PAN) ficaram, sem contar ainda a emigração, com dois milhões.

Chega conquista quatro círculos eleitorais, incluindo Setúbal. PS só ganhou círculo de Évora.

O Chega foi o partido mais votado nos círculos de Setúbal, Portalegre, Beja e Faro. Nas eleições de 2024, só Faro tinha sido bastião do Chega. Agora o partido de André Ventura garante quatro círculos eleitorais, o que lhe permitiu chegar aos 58 deputados (antes dos votos da emigração).

O PS só conquistou o círculo de Évora. Todos os outros foram para a AD.

Bragança é o único círculo sem deputados do Chega

Bragança fechou a noite eleitoral como o único círculo eleitoral sem eleger qualquer deputado do Chega. Neste círculo eleitoral os três deputados disputados foram dados à AD, que ficou com dois deputados, e ao PS, que ficou com um, os mesmos que em 2024.

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Só numas outras eleições é que o PS conseguiu menos deputados do que o que aconteceu este ano. Faltando ainda finalizar o escrutínio para verificar, em termos percentuais, em que posição ficará o ato de 2025 nos desaires socialistas, nos resultados em território nacional apurados, o PS está com 23,38% dos votos e 58 deputados.

Apenas nas eleições de 1985, na primeira vitória de Cavaco Silva (sem maioria), o PS teve menos deputados. Nessa altura conseguiu 57, num Parlamento que tinha 250 deputados (em 1991 passou a 230). Nesse ano, o PS perdeu praticamente metade do grupo parlamentar e o estreante PRD passou a terceira força política com 45 mandatos. Deitou abaixo o Governo e abriu lugar, em 1987, para a maioria de Cavaco Silva. Em 1987, o PS continuou com desaires eleitorais, elegendo 60 deputados. Esses dois atos eleitorais foram as votações, em termos percentuais, mais baixas do PS: em 1985 teve 20,77% e em 1987 ficou com 22,24%.

Três deputados únicos no Parlamento

Mariana Mortágua vai ser a única deputada do Bloco de Esquerda no Parlamento. O seu partido perdeu quatro deputados. A acompanhá-la como deputada única mantém-se Inês Sousa Real, que conseguiu eleição em Lisboa. E entra no Parlamento nacional Filipe Sousa, do JPP, que garante eleição pelo círculo da Madeira.

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Bloco de Esquerda nunca tinha tido deputado único

Desde que entrou no Parlamento, em 1999, o Bloco de Esquerda conseguira sempre um grupo parlamentar. É a primeira vez que terá apenas um deputado e será representado por Mariana Mortágua.

Em 1999 conseguiu 2 lugares, passando a 3 em 2002. Nas eleições de 2005 conseguiu oito mandatos, duplicando nas eleições seguintes, as de 2009, para 16 deputados. Voltou a cortar a metade a força parlamentar nas eleições de 2011, no ano da entrada da troika, depois ficando com oito deputados. Voltaria a aumentar a participação em 2015, com 19 posições. Foi o ano em que a geringonça tomou forma. Repetiu o número de presenças em 2019. Mas depois foi sempre a descer. Em 2022 obteve apenas cinco mandatos, os mesmos que conseguiu em 2024. Nas eleições de 2025 quase deixou o Parlamento. Ficou apenas Mariana Mortágua. Isto no ano em que repescou para as suas listas Francisco Louçã, Fernando Rosas e Luís Fazenda.

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Ventura vence pela primeira vez em “casa”. Chega alcança vitória em Algueirão-Mem Martins

Na terra de André Ventura, o Chega consegue a sua primeira vitória. O partido estreou-se em eleições legislativas em 2019, ano em que Algueirão-Mem Martins foi vencido pelo PS e o Chega ficou apenas em sétimo lugar, com 772 votos. Quatro anos depois, os socialistas voltaram a vencer, mas a subida do Chega já se fazia sentir: surgia em terceiro lugar, com 3.222 votos.

Nas eleições legislativas do ano passado, uma vez mais, o PS venceu (10.260 votos). Mas o Chega já estava à espreita no segundo lugar (8.335). Este ano, André Ventura vence, finalmente, em “casa” e os socialistas são também ultrapassados pela AD. O Chega surge em primeiro lugar com 9.892 votos, seguido da coligação que junta PSD e CDS com 8.399 votos e só depois pelo PS, com 8.150 votos.

São João da Madeira preferiu Montenegro a Pedro Nuno

Pedro Nuno Santos nem na sua terra, São João da Madeira, venceu. O PS ficou em segundo, atrás da AD. No círculo de Aveiro, os conterrâneos do líder do PS puseram 4.198 votos na AD, dando a Montenegro 32,86%. O PS ficou com 3.877 votos e 30,34%. O Chega manteve-se como a terceira força em São João da Madeira e a IL a quarta.

Nos dois lugares seguintes, Livre bateu o Bloco de Esquerda. A abstenção atingiu os 44%. Pedro Nuno Santos é natural de São João da Madeira, mas vota em Lisboa. Em 2024, o PS ganhou São João da Madeira.

Alvito só dá 24 votos ao Bloco de Esquerda

Mariana Mortágua nasceu a 24 de junho de 1986 em Alvito. A líder do Bloco de Esquerda, que também vota em Lisboa, teve uma noite de derrotas. E uma delas foi mesmo na sua terra de origem. No concelho do Alvito, o Chega ganhou o ato eleitoral com 28,3% ou 341 votos, atirando o PS para a segunda posição. O Bloco, no concelho, ficou em quinto. Se olharmos para a freguesia, também foi do Chega a vitória com 28,41% ou 181 votos, mas na freguesia a segunda posição foi ocupada pela AD com 23,39%. Também na freguesia o Bloco ficou na quinta posição, com apenas 24 votos, que lhe deram 3,77%.

Espinho dá mais votos a Montenegro

Na sua terra, e olhando para o concelho de Espinho, Luís Montenegro reforça a votação face a 2024. A AD ficou com 39,99%, contra os 33,19% de 2024. Conseguiu oito mil votos, distante dos 5.116 votos no PS, que assim conquistou 25,35%. Foi neste concelho que o Bloco desceu à oitava posição, tendo sido ultrapassado pela CDU, Livre, PAN e até o ADN. Se olharmos para a freguesia de Espinho, a AD consegue uma vitória percentualmente mais robusta: 46,6%. Em SIlvalde, onde Montenegro tem bens, a AD ficou também na frente com 32,8%.

Na vila morena, o Chega ficou a 37 boletins do PS

Imortalizada na canção de 1971 que foi uma das senhas da revolução de Abril, Grândola foi durante décadas um bastião comunista do Alentejo. Na última década, a vila morena tornou-se casa para o PS, mas o Chega aproxima-se a passos largos. Este domingo, apenas 37 votos separaram o PS, que ficou em primeiro lugar, do Chega, que ficou em segundo.

É um resultado bastante diferente do que se passou no ano passado, em que a diferença tinha sido de mais de 900 votos. O PS passou de 2408 votos para 1919. No sentido inverso, o Chega passou de 1486 para 1882. Para além do Chega só houve outro partido que conseguiu crescer em Grândola: a AD. Todos os outros partidos perderam eleitores desde as últimas legislativas.

Braga tem a abstenção mais baixa. Açores a mais alta

A taxa de abstenção em 2025 foi de 35,6%, a mais baixa dos últimos 30 anos. Apesar de a abstenção ter voltado a descer em relação às legislativas do ano passado, as diferenças regionais mantêm-se inalteradas: Braga continua a ser o círculo eleitoral com a taxa de abstenção mais baixa, ainda que tenha aumentado ligeiramente (passou dos 28,7% para os 30,29%). No sentido oposto, a taxa de abstenção mais alta continua a verificar-se nos Açores, onde 56,19% das pessoas não foram votar — os Açores foram também o único círculo em que a abstenção passou dos 50%. No continente, a taxa de abstenção mais alta também foi registada no mesmo círculo que em 2024 — Bragança, com 47,29% de abstenção.

Couço volta a ser “aldeia vermelha”

Conhecida como aldeia vermelha, o Couço, no concelho de Coruche (distrito de Santarém), voltou a dar liderança nas eleições ao PCP-PEV, depois de ter entregado a maioria dos votos ao PS nas duas últimas eleições legislativas (2024 e 2022).

Este ano na freguesia do Couço o PCP-PEV garantiu 29,52% dos votos (385), contra os 373 votos (ou 28,6%) do PS. O Chega é já a terceira força.

Fora da AD, PPM fica quase em último

Durante toda a campanha eleitoral, Gonçalo da Câmara Pereira mostrou-se disponível para integrar qualquer Governo e considerou que o CDS está “praticamente extinto”. Esse partido continua a integrar a coligação AD, ao contrário do PPM, que deixou de fazer parte nestas eleições legislativas — com polémica à mistura (e acusações de “roubo” do nome por parte do partido monárquico). Sem fazer parte da aliança que junta PSD e CDS, o PPM consegue um total de 5.296 votos (0,09%) a nível nacional, ficando apenas à frente do Nós Cidadãos, MPT e PTP.

PPM disponível para integrar qualquer Governo: “O que é preciso é estabilidade