O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas revelou esta segunda-feira que este ano foram deportadas dez pessoas dos Estados Unidos da América para Portugal. Em declarações ao Observador, José Cesário disse ainda que outras 17 foram detidas pelos serviços de imigração dos EUA e podem vir a ser deportadas, casos que estão a ser acompanhados pelos serviços consulares.
Segundo José Cesário, alguns casos são semelhantes ao do português Rui Murras, o jovem que vive desde os dois anos nos EUA, tendo autorização de residência permanente (Green Card) e que foi detido quando regressava a solo norte-americano depois de um período de férias no estrangeiro. “O perfil é idêntico”, refere, explicando que estão também em causa crimes cometidos no passado e que estão agora a ser recuperados pelas autoridades da imigração.
O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas garante que estes casos estão a ser acompanhados: “A embaixada [portuguesa em Washington] está em contacto com os consulados.” Questionado sobre se as autoridades temem um aumento do número de deportações, refere que “é impossível prever”.
“Os números deste ano são inferiores aos do ano passado, por enquanto”, salienta. No total, em 2024 foram expulsos dos EUA 50 portugueses. Nesse ano, o Reino Unido e a França foram os dois países que mais deportaram portugueses: 107 e 90, respetivamente.
José Cesário, que já tinha explicado em janeiro que a embaixada de Portugal em Washington recebeu instruções para monitorizar alterações nas políticas migratórias da nova administração norte-americana, liderada por Donald Trump, tem rejeitado alarmismos. “Evidentemente, nós não estamos à espera, neste momento, que haja qualquer tipo de processo de deportações maciças. Poderá haver casos pontuais, como já acontece atualmente. Mas, com muita tranquilidade e calma, vamos fazer uma avaliação dessa situação à medida que as coisas forem acontecendo”, disse à agência Lusa no início do ano.
Ao Observador, José Cesário lembra agora que em cenários de deportação o Estado avalia o apoio que pode prestar. “Depende da circunstância, depende de saber se a pessoa tem familiares que o enquadrem ou não, se tem meios. Tudo isso é avaliado pela segurança social, no caso do continente, pelos municípios também e pelo emprego. No caso das regiões autónomas é avaliado a nível do respetivo serviço, eles têm total autonomia sobre isso”, nota.
O caso do português Rui Murras, que foi noticiado em março depois de a família ter denunciado a situação nas redes sociais, continua a ser acompanhado em permanência. Esta quinta-feira, dia 22, o português que se mantém detido pelas autoridades norte-americanas vai ser presente a um juiz.
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