Comprar o Novo Banco, por si só, “não é uma vitória”, diz Miguel Maya, que garante que o banco que lidera, o Millennium BCP, “não está no campeonato do powerpoint“. Ou seja, não quer ganhar dimensão só pelo facto de ganhar dimensão: uma eventual aquisição “só será uma vitória se, com isso, pudermos criar valor para a sociedade e para os acionistas” – e isso depende, também, do “preço“.
Os comentários de Miguel Maya foram feitos na conferência de imprensa de apresentação dos resultados do primeiro trimestre. O banqueiro repetiu que cabe à gestão do BCP analisar qualquer operação que venha para o mercado, as condições, as potenciais sinergias – e cabe-lhe avaliar até que ponto uma aquisição ajuda o banco a maximizar a rentabilidade. “Neste momento, não sei“, respondeu Miguel Maya, questionado pelo Observador sobre se o BCP acha que uma compra do Novo Banco poderia dar esse acréscimo de valor.
“O crescimento do BCP é orgânico, ponto final parágrafo”, referiu o presidente do BCP, reconhecendo que poderá analisar outras hipóteses “se em algum momento se perspetivar que uma operação dessas” poderia gerar valor.
Tanto quanto sei o cenário central é uma operação de IPO [colocação das ações em bolsa] portanto o Novo Banco continuará a ser um concorrente, um banco que tem pontos fortes e que nos inspira a fazer melhor a cada dia”, acrescentou Miguel Maya, garantindo que não está “preocupado” com quem comprará o banco, na bolsa ou fora dela (numa altura em que já foi noticiado o interesse do Caixabank, dono do BPI).
O que nós queremos é concorrer para ter a preferência dos clientes. Neste momento não estou preocupado. O Mark [Bourke, CEO do Novo Banco] seguramente saberá melhor e os acionistas do banco é que sabem o que é que é melhor para eles”, afirmou Miguel Maya, salientando que o BCP “tem espaço para crescer no número de clientes e espaço para crescer no crédito a empresas” e também noutras áreas.
Millennium BCP começa ano de 2025 com subida de 3,9% nos lucros do primeiro trimestre
“Resultado das eleições é o resultado que os portugueses escolheram, ponto”
“O resultado das eleições é o resultado que os portugueses escolheram”, salientou, também, Miguel Maya, presidente do Millennium BCP, depois de os jornalistas lhe pedirem um comentário às eleições de 18 de maio, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados do primeiro trimestre.
“Temos é o privilégio de viver num país democrático e que fizeram as suas escolhas, de forma até bastante participada, e ponto”, afirmou o banqueiro.
Como gestores, temos de encontrar a melhor forma de, dentro das escolhas dos portugueses, encontrar a melhor forma de ajudar os portugueses a prosperar, respeitando em absoluto as escolhas dos portugueses”, afirmou o banqueiro, reconhecendo que “temos clientes de todos os partidos”.
O banqueiro diz-se “otimista de que Portugal irá conseguir encontrar um caminho de maior ambição e crescimento”.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 1.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]