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O primeiro-ministro israelita revelou, esta quarta-feira, que o seu governo permitiu, em 2018, o financiamento do Hamas para manter os movimentos palestinianos divididos. A confirmação de um rumor antigo surgiu na primeira conferência de imprensa de Benjamin Netanyahu desde dezembro.
“A política que permitiu ao Qatar transferir dinheiro para Gaza foi aprovada por unanimidade pelo gabinete de Segurança. Porquê? Porque queríamos manter divididos o Hamas e a Autoridade Nacional Palestiniana”, explicou, citado pela agência EFE.
Uma investigação do Shin Bet (serviços secretos internos israelitas) revelou que o Qatar enviava, por mês, 30 milhões de dólares para Gaza (mais 26 milhões de euros) em 2018. Esse dinheiro acabava nas mãos do Hamas, com a aprovação do Governo de Netanyahu. Em 2023, o primeiro-ministro israelita disse que estas acusações eram “ridículas”.
Esta quarta-feira, Netanyahu anunciou também que Israel “provavelmente matou” Mohammed Sinwar, líder do Hamas. Mohammed Sinwar. “Estamos comprometidos em alcançar este objetivo claro e justificado” de derrotar o Hamas, acrescentou, lembrando um trabalho que Israel “ainda não terminou”.
Na conversa com os jornalistas, o primeiro-ministro apontou também o dedo ao Irão, que considerou continuar a ser “a maior ameaça para Israel”. “O estado de Israel tem todo o direito de proteger-se de um regime que quer eliminá-lo”, confessou, admitindo que está a colaborar com os EUA para alcançar um acordo que impeça o Irão de ter armas nucleares.
Netanyahu disponível para cessar-fogo
O primeiro-ministro israelita disse estar pronto para aceitar um “cessar-fogo temporário” na Faixa de Gaza que permita a libertação dos últimos 20 reféns, e posteriormente pretende assumir o controlo de todo o enclave palestiniano.
“Se houver uma opção para um cessar-fogo temporário para libertar reféns, estaremos prontos”, disse Benjamnin Netanyahu em conferência de imprensa em Jerusalém, na qual atualizou em 20 o número de reféns vivos, de um total de 58, ainda em cativeiro do grupo islamita palestiniano Hamas.
Ao mesmo tempo, o chefe do Governo disse que, após a nova grande ofensiva militar lançada no passado fim de semana, “toda a Faixa de Gaza estará sob o controlo do Exército israelita”.
Netanyahu advertiu, entretanto, ser preciso “evitar uma crise humanitária” para manter “a liberdade operacional de ação” dos militares israelitas, alegando que a intensificação dos ataques e as restrições à entrada de ajuda aos habitantes do território provocaram uma vaga de condenação internacional.
O líder político defende que “no fim” da guerra todo o território de Gaza estará sob controlo israelita e o Hamas será derrotado. Preocupado com a necessidade de evitar uma crise humanitária na estreia faixa de terra entre Israel e o mar, o primeiro-ministro israelita detalha um plano com três passos, citado pela BBC:
- Levar bens básicos de ajuda para Gaza;
- Abrir pontos de distribuição de alimentos por empresas americanas protegidas pelo exército israelita;
- Criar uma zona para proteger civis depois de ser assumido o controlo de segurança de Gaza.
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Benjamin Netanyahu rejeita críticas da oposição
Benjamin Netanyahu rejeitou as críticas dos adversários políticos internos e acusou Yair Golan, seu principal opositor, de “colocar combustível na fogueira do antissemitismo global”.
Na terça-feira, Golan acusou Israel de estar a caminhar no sentido de se tornar “num estado pária” e acusou o país de “matar bebés como hobby”. Para o primeiro-ministro israelita, a oposição faz estas criticas porque “para eles tudo é político” e são capazes de tudo para derrubar o Governo, inclusive mentir sobre soldados e parar a guerra.
“Estamos aqui, juntos, até à vitória, até ao fim. Lutaremos juntos e, se Deus quiser, juntos venceremos”, rematou, citado pela BBC, antes de dizer que os familiares dos militares repetem-lhe sempre para não parar a guerra.