O Presidente dos EUA volta à carga com a ameaça de tarifas, tendo desta vez como alvo a União Europeia e a Apple. No caso da UE, diz que vai “recomendar” uma “tarifa de 50% a partir de 1 de junho de 2025“.
Trump explica “tem sido muito difícil lidar” com o bloco dos 27, queixando-se de fatores como “barreiras comerciais, impostos, ridículas coimas a empresas” ou até de “processos injustos e injustificados contra empresas norte-americanas”. Em abril, a Comissão Europeia multou a Apple e a Meta em 700 milhões de euros por violação à Lei dos Mercados Digitais.
O Presidente dos EUA nota ainda que as conversações com a UE “não estão a ir a lado nenhum”. Ressalva, porém, que “não haverá tarifas a produtos que sejam construídos ou fabricados nos EUA”.
Após o anúncio de Trump, as bolsas europeias estão a negociar no vermelhor. O índice Stoxx 600, que agrega as maiores cotadas da Europa, cede 1,23% às 14h55, segundo dados do MarketWatch.
Além da pressão à UE, também ameaça a tecnológica norte-americana Apple, com a ameaça da imposição de uma tarifa de “pelo menos 25%” a aplicar aos produtos da empresa.
Numa publicação na rede social Truth Social, Donald Trump explica que “há muito que informou Tim Cook”, o CEO da Apple, de que espera “que os iPhone que são vendidos nos EUA sejam fabricados e montados nos EUA, não na Índia ou em outro local qualquer”. Caso isso não aconteça, diz Trump, “a Apple deve pagar aos EUA uma tarifa de pelo menos 25%”.
A publicação do Presidente dos EUA agrava a tensão com a liderança da Apple. Este mês, Tim Cook afirmou que as fábricas indianas vão passar a fornecer “a maioria” dos iPhone que serão vendidos nos EUA ao longo dos próximos meses. É desta forma que a Apple pretende minimizar as consequências da guerra comercial e das tarifas impostas pelos EUA à China, um país importante de produção do iPhone.
A revelação feita por Cook não agradou a Donald Trump, que teceu críticas ao executivo durante a viagem que fez ao Qatar, na semana passada. “Tenho um pequeno problema com Tim Cook”, citou a CNN. “Disse-lhe ‘Tim, és meu amigo. Trato-te muito bem. Vais investir 500 mil milhões de dólares. Mas agora ouço que estás a construir em toda a Índia. Não quero que invistas na Índia'”, afirmou Trump, aproveitando a oportunidade para reiterar que quer a Apple a fabricar produtos nos EUA.
Segundo uma fonte da administração norte-americana à CNN e ao Financial Times, Tim Cook esteve reunido com Donald Trump na Casa Branca esta terça-feira. Porém, não é claro se o assunto está diretamente ligado a tarifas ou a outro tipo de projeto.
Em fevereiro, a Apple comprometeu-se a gastar e a investir “mais de 500 mil milhões de dólares” nos EUA ao longo dos próximos quatro anos, numa tentativa de apaziguar Donald Trump. A promessa incluiu planos para aumentar as instalações em pontos como o Michigan, Texas, Califórnia, Arizona, Nevada, Iowa, Oregon, Carolina do Norte ou Washington. No caso do Texas, está prevista a criação de uma nova fábrica e investimentos ligados à engenharia em áreas como inteligência artificial e desenvolvimento de semicondutores.
A Apple ainda não reagiu à ameaça de Donald Trump. As ações da empresa caíram 3,75% antes da abertura do mercado; já depois da abertura de Wall Street, cediam 2,74%, a cotar nos 195,93 dólares. Segundo dados do MarketWatch, Wall Street abriu com tendência negativa: o Dow Jones cede 0,82%, o S&P 500 cai 1,03% e o índice tecnológico Nasdaq tomba 1,3%.
(Atualizada às 14h56)