A Meta começa a partir desta terça-feira a utilizar os dados pessoais dos utilizadores com 18 ou mais anos da União Europeia (UE) para treinar os modelos de inteligência artificial (IA).
Em abril, a empresa-mãe das redes sociais anunciou que todos os conteúdos públicos das suas plataformas, com exceção de mensagens privadas, por exemplo, seriam doravante utilizados para treinar os seus modelos de IA.
“Vamos utilizar as tuas interações com as funcionalidades de IA na Meta e as tuas informações públicas, como publicações e comentários de contas de pessoas com 18 anos ou mais, com base em interesses legítimos”, lê-se num e-mail da empresa, no qual acrescenta que esta estratégia visa desenvolver e melhorar a IA da Meta.
As informações em causa são, nomeadamente, publicações, fotografias e respetivas legendas, comentários publicados sob as mesmas. Também ficam automaticamente incluídos neste material disponível para recolha os pedidos e as interações que com o Meta AI, o serviço de conversação que a Meta lançou na União Europeia. O Meta AI está disponível no Facebook, Instagram, Messenger e também WhatsApp.
Apesar da empresa começar hoje a usar os dados, ainda é possível recusar o uso dos dados para treino de IA, através de um formulário de objeção, que está disponível no Facebook e Instagram. Em abril, a Meta afirmou ao Observador que os “utilizadores podem levantar objeções a qualquer altura” e não apenas até à mudança da política de utilização. Além disso, também disse que estar contra este uso de dados para treino de IA “não irá ter impacto no uso que fazem dos produtos da Meta”.
De qualquer forma, o formulário está acessível através das definições da rede social, no campo de privacidade. O formulário detalha que informação é que é recolhida e, para o preencher, basta apenas clicar em enviar ou deixar uma mensagem opcional sobre como é que acha que esta recolha poderá ter impacto.
“Se a tua oposição for aceite, não vamos utilizar as tuas interações com as funcionalidades de IA da Meta nem as tuas informações públicas”, diz a empresa.
Mesmo opondo-se ao uso dos seus dados, a empresa pode sempre usar informações do utilizador que apareçam em qualquer local, como, por exemplo, numa imagem partilhada publicamente nos produtos da empresa ou por alguém que os utilize.
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A Meta já usa desde o ano passado dados dos utilizadores para treinar IA noutros mercados, como por exemplo os EUA. No entanto, na União Europeia, a empresa adiou a ação quase um ano devido a questões regulatórias. O Comité Europeu para a Proteção de Dados (EDPB) levantou questões sobre este uso de dados, assim como a Autoridade de Proteção de Dados da Irlanda (a entidade que supervisiona a Meta na União Europeia).
Desde que anunciou a alteração à política na UE, algumas organizações de defesa da privacidade, manifestam-se contra esta ação. É o caso da austríaca None of Your Business (Noyb), que enviou uma carta à Meta para desistir desta recolha de dados. A organização considera que “em vez de a Meta pedir aos consumidores para aderirem, apoia-se num alegado ‘interesse legítimo’ para apenas sugar todos os dados dos utilizadores”.
(Atualizada às 15h56)