Acompanhe o nosso liveblog sobre a guerra na Ucrânia

Um dia depois de terem reclamado novos êxitos na guerra, Rússia e Ucrânia reuniram-se esta segunda-feira de novo na cidade turca de Istambul para uma segunda ronda de negociações diretas sem grandes expectativas de paz.

As negociações estavam previstas para as 11 horas (de Lisboa), mas começaram quase duas horas mais tarde. Os motivos que levaram ao atraso não foram, até ao momento, justificados. As conversações duraram cerca de uma hora e decorreram em russo, segundo a Ria, tendo sido discutidos detalhes sobre uma nova troca de prisioneiros.

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que está em preparação um novo acordo para uma troca de prisioneiros com a Rússia. “Documentos foram trocados pelos intermediários da parte turca e preparamo-nos para uma nova libertação de prisioneiros de guerra”, afirmou, citado pela BBC.

O líder ucraniano disse ainda que o “apetite pela guerra” de Putin “só vai crescer” e que o objetivo dos países aliados é acabar com “a fome da Rússia pela agressão”. O Presidente ucraniano destacou que a NATO deve enviar uma mensagem direta à Rússia, de que o país “não vai conseguir nada com esta guerra”.

Só no domingo é que Zelensky confirmou a participação de Kiev nas conversações com uma delegação chefiada pelo ministro da Defesa, Rustem Umerov. A Rússia mantém o conselheiro presidencial Vladimir Medinsky à frente de uma delegação que foi considerada como de “segunda linha” aquando da primeira ronda, em 16 de maio, também em Istambul.

A demora de Kiev em confirmar a presença teve a ver com a exigência de que Moscovo enviasse antecipadamente o memorando que disse ter preparado com as condições para um cessar-fogo. O Kremlin (presidência) recusou tal exigência e remeteu a divulgação do documento à parte ucraniana para a reunião desta segunda-feira.

A Rússia tem exigido que a Ucrânia renuncie definitivamente à adesão à NATO e às cinco regiões que Moscovo alega ter anexado. Depois de ter anexado a Crimeia em 2014, Moscovo declarou em setembro de 2022 a integração das regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia na Federação Russa.

A Rússia também recusa o cessar-fogo incondicional exigido pela Ucrânia, pelos Estados Unidos e pelos aliados europeus de Kiev.

As condições de Moscovo são inaceitáveis para Kiev, que, em contrapartida, exige a retirada definitiva das tropas russas de todo o território da Ucrânia. Zelensky também definiu no domingo como prioridades a obtenção de um cessar-fogo completo e incondicional, e o regresso dos prisioneiros e das crianças que Kiev acusa Moscovo de ter raptado.

Na primeira ronda de conversações, as duas partes não foram além de um acordo sobre a troca de mil prisioneiros de guerra de cada lado. A reunião desta segunda-feira foi proposta há uma semana por Moscovo, mas nem por isso diminuiu a intensidade dos combates.

No domingo, véspera das negociações de paz, a Ucrânia acusou a Rússia de ter matado 12 soldados ucranianos que estavam a treinar, e Moscovo denunciou a destruição de 40 aviões e de duas pontes.

Representantes dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e França também deverão deslocar-se a Istambul para contactos com as duas partes. Zelensky continua a reclamar que o conflito só será resolvido quando negociar diretamente com Vladimir Putin, mas o Presidente russo tem respondido com o silêncio.

Com isso, tem alimentado o receio de que pretenderá manter a guerra que iniciou em fevereiro de 2022 até poder declarar que a venceu.

*Notícia atualizada às 14h57 com a indicação de que as negociações já terminaram