O primeiro a falar sobre a possibilidade de sair do Manchester United ainda este verão foi mesmo Bruno Fernandes. Nas últimas semanas da temporada, depois da derrota na final da Liga Europa e de um dos piores anos da história dos red devils, o internacional português garantiu que não queria deixar Old Trafford — mas que estava disponível para ajudar o clube da maneira que fosse necessária.

“Sempre fui honesto. Se o clube pensa que chegou o momento de nos separarmos porque precisam de um encaixe financeiro ou seja lá o que for, terá de ser. O futebol é assim, às vezes. Sempre disse que fico cá até o clube me dizer que é tempo de sair. Estou ansioso por mais, por levar o clube de volta aos seus dias gloriosos, mas no dia em que pensarem que não sou suficiente ou que é tempo de nos separarmos… O futebol é isso mesmo e nunca se sabe o que pode acontecer. Sempre disse isso e mantenho a minha palavra”, disse Bruno Fernandes, já ciente de as propostas poderiam chegar com o fim de maio e o início de junho.

“Se a direção achar que não sou a pessoa certa, saio no dia seguinte. Sem indemnização.” A garantia de Amorim depois da 16.ª derrota do ano

E chegaram. O Al Hilal não demorou a posicionar-se na corrida pelo médio português, com o agente de Bruno Fernandes a ser visto na Arábia Saudita nos últimos dias e o jornalista italiano Fabrizio Romano a avançar com os pormenores do contrato astronómico oferecido ao jogador e ao clube: 350 milhões de euros por três anos de contrato e 100 milhões de euros pela transferência. Pelo meio, Ruben Amorim tinha um feeling de que Bruno Fernandes não iria sair nem para o Al Hilal nem para qualquer outro lado.

“Não acredito que vá acontecer. Não tenho a certeza, ninguém sabe, mas não creio. Acho que ele vê que estamos a tomar medidas para mudar as coisas e isso é tudo o que pede. Acho que quer ficar, está a dizer ‘não’ a muitas coisas e escolheu ganhar. É muito jovem, muito bom, e tem de estar na melhor liga do mundo. Sou o treinador, mas é uma decisão do jogador. Claro que falo com ele, explico as coisas e tenho aquele ‘feeling’… Sinto se quer ficar ou não. Obviamente que ficou frustrado em muitos jogos esta época, mas ele sabe o que estamos a fazer. O ‘feeling’ que tenho sempre que falo com ele é de que quer continuar no Manchester United, de certeza. Mas nunca se sabe”, disse o treinador português em Hong Kong, no fim da tour asiática que os ingleses cumpriram depois do final da temporada.

Esta terça-feira, na verdade, o feeling de Ruben Amorim concretizou-se. Também de acordo com Fabrizio Romano, Bruno Fernandes rejeitou a proposta monstruosa do Al Hilal e garantiu ao empresário que quer continuar a jogar na Europa — o que também não é uma porta fechada a uma eventual saída do Manchester United, já que tem contrato até 2027 e a necessidade de um encaixe financeiro por parte dos red devils ainda é uma realidade.

De forma natural, a notícia de que Bruno Fernandes recusou mais de 300 milhões de euros da Arábia Saudita já está a reunir aplausos por parte do universo do Manchester United — incluindo Gary Neville, que caracterizou a atitude do jogador português como “significativa” e lembrou a importância que o médio de 30 anos tem na equipa de Ruben Amorim.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 3.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui e o segundo aqui.]

“O dinheiro que estava em cima da mesa era muito. Receber este tipo de dinheiro por um jogador da idade do Bruno não seria um mau negócio, mas, por outro lado, a estrela do Manchester United nos últimos cinco ou seis anos foi o Bruno Fernandes. É o único jogador que consigo considerar um sucesso entre todas as contratações que foram feitas. É o único que tem a personalidade e a coragem necessárias. Se joga bem, o Manchester United tem sempre chances de vencer. O facto de querer ficar, apesar de todo o dinheiro que lhe foi oferecido, vai fazer com que seja ainda mais querido pelos adeptos. Recusar aquele dinheiro, quando o clube está no seu ponto mais fundo, e dizer ‘não, quero lutar’, diz muito sobre ele. Enquanto pessoa e enquanto personalidade”, sublinhou o antigo internacional inglês em declarações à Sky Sports.