Mais de metade de bancada parlamentar do Chega não quer que o partido apoie Henrique Gouveia e Melo como candidato às eleições presidenciais, preferindo que André Ventura volte a avançar, como aconteceu em 2021. A posição foi transmitida numa carta enviada a André Ventura por 34 deputados, noticiada pelo Correio da Manhã e confirmada pelo Observador. “O presidente tem em conta as opiniões, mas não se deixa pressionar”, frisa um dirigente do Chega ao Observador.

A proposta dos deputados é que o partido não apoie nenhum dos candidatos que se apresentaram até agora — sendo que só o apoio a Gouveia e Melo poderia ser equacionado, pelo menos a julgar pelas declarações públicas que André Ventura tem feito: a Luís Marques Mendes chamou, ainda na semana passada, “representante do Governo” e do sistema, considerando também que António José Seguro “é um homem que tem algum caráter” mas que o Chega nunca poderia apoiar, “porque está nos antípodas do seu pensamento”.

A única hipótese restante, até ver, seria Gouveia e Melo, que o Chega já ponderou apoiar (ainda antes de André Ventura ter confirmado que seria candidato a Belém e de ter depois, por causa da crise política, admitido retirar a candidatura). Mas o almirante tem dado sinais de que não quer ser colado ao Chega e Ventura já veio dizer que, embora Gouveia e Melo tenha “qualidades de assinalar”, cometeu “erros” como rodear-se de figuras como Isaltino Morais ou Rui Rio.

Assim, Ventura deixou a hipótese de poder manter a candidatura a Belém aberta e avisou que se nenhum candidato representar as suas “causas” — “do combate à imigração e à corrupção e estar acima dos interesses do sistema, não forem assegurados” — “o Chega não só terá uma candidatura própria, como arrisca” a que Ventura seja o protagonista dessa candidatura.

É também essa a opinião destes 34 deputados, que defendem que o Chega tenha candidato próprio, e que esse deverá ser André Ventura, mais uma vez. A posição dos parlamentares “será tida em conta”, afirma o dirigente já citado, “mas ainda é cedo para tomar decisões sobre presidenciais”.

André Ventura admite retirar candidatura a Belém para se focar em eleições antecipadas