Uma ex-namorada de Sean “Diddy Combs”, apresentada em tribunal com o pseudónimo Jane para proteção da sua identidade, regressou esta segunda-feira ao banco das testemunhas do Tribunal de Manhattan, em Nova Iorque, depois de, na semana passada, ter passado mais de sete horas a lembrar e descrever a relação com o músico e de ficar visivelmente perturbada perante as recordações de violência sexual e física. Jane e Combs — que está acusado de crimes de tráfico sexual, violações e ofensas à integridade física — mantiveram uma relação romântica entre 2021 e 2024, ano em que o músico foi preso.

Jane voltou a afirmar que se sentiu obrigada a “atuar” nas festas organizadas pelo rapper e revelou mensagens que enviou ao namorado a pedir para não participar mais nos freak-offs, o nome que o namorado dava a estes encontros sexuais. Leu em voz alta mensagens que enviou a “Diddy” em outubro de 2023: “Não sou uma estrela porno. Não sou um animal. Preciso de uma pausa.”

Jane, citada pelo New York Times, contou que, num esforço para satisfazer as fantasias do namorado, começou a participar nestes encontros com diversos homens contratados. Não demorou muito, no entanto, até a sua participação nos eventos deixar de lhe fazer sentido.

“É sombrio, sujo e faz-me sentir nojo de mim própria”, escreveu Jane noutro SMS lido na sala do tribunal. “Sinto que os [“freak-offs”] são a única razão pela qual me tens por perto e porque pagas a casa. Não quero sentir-me obrigada a passar estas noites contigo, com medo de perder o teto que tenho em cima da cabeça. Não quero continuar a sentir-me assim”, acrescentava no apelo a Combs.

A testemunha recordou a altura em que se insurgiu diretamente contra a participação — enquanto parte do casal — nestes encontros sexuais que envolviam prostitutos e o consumo de droga. Em setembro de 2023, o rapper prometeu-lhe que passariam tempo de qualidade juntos sozinhos numa visita a Nova Iorque, mas acabou por lhe revelar que tinha uma “surpresa” e levá-la para um hotel onde eram esperados por um prostituto e onde Combs lhe deu um comprimido de ecstasy.

Mais uma vez, ignorava por completo a vontade ou pedidos da companheira, a quem garantia o pagamento da renda de um apartamento no valor de 10 mil euros.

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Jane, tal como Cassie, passou a organizar os “freak-offs” para poder escolher com quem se envolvia

Jane voltou a descrever, à semelhança do que já tinha acontecido na semana passada, um  padrão de “noites de hotel” infindáveis. A relação que mantinha com “Diddy” passava quase só por esse tipo de encontros sexuais, a três ou mais pessoas, sempre com um nível de perversidade que não lhe agradava.

Para conseguir satisfazer o companheiro, passou a ser a própria mulher a contratar os homens que faziam parte das performances sexuais — assim conseguia controlar melhor o que se passava.

Não foi a única ex-namorada de Combs a fazê-lo. Casandra Ventura, que testemunhou no julgamento de Combs durante vários dias, em maio, recordou que passava não só dias a fio a participar nas festas de sexo, como era muitas vezes responsável pela organização das mesmas, juntamente com os assistentes mais próximos de Combs.

Tinham de marcar hotéis, comprar lotes de óleo de bebé, lubrificantes e preservativos. Além disso era preciso angariar pessoas para ter relações sexuais com Combs e com outras celebridades que viessem a participar nas festas.

O testemunho de Jane vem corroborar o que foi contado em tribunal por Cassie, que namorou com “Diddy” por dez anos, revelando um padrão comportamental do rapper em relação a estas festas de sexo, que durou até ser detido, em 2024.

A acusação tem estado a tentar provar que grande parte da atividade de Combs, e de quem o rodeava, era a de angariar trabalhadores sexuais e até outras pessoas sem experiência para este tipo de encontros, criando uma rede de tráfico que o servia a ele e a quem ele queria agradar.