Uma ex-namorada acusa Sean “Diddy” Combs de a forçar a atos sexuais com acompanhantes contratados e de negar os pedidos de “Jane”, nome fictício, para que fossem usados preservativos durante os encontros.

“Jane” está a ser ouvida em tribunal no âmbito do julgamento em que o rapper, de 55 anos, é acusado de vários crimes, incluindo tráfico sexual e extorsão. Começou a testemunhar na quinta-feira e o depoimento só termina, na melhor das hipóteses, na próxima segunda.

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Em tribunal, “Jane” explicou que é mãe solteira e que conheceu o rapper e produtor em 2020, escreve o Washington Post. Iniciou uma relação com Sean Combs em 2021, que descreveu como “amorosa e apaixonada”. No entanto, em maio de 2021, deu-se uma viragem na relação, quando o rapper revelou as fantasias sexuais, que envolveriam ver a namorada a ter relações sexuais com outros homens e a desempenhar papéis (role-playing). “Jane” descreveu em tribunal que esse momento “abriu uma Caixa de Pandora na relação”. “Definiu o tom da nossa relação daí para a frente. Foi uma porta que nunca mais consegui fechar”, disse em tribunal, entre lágrimas, escreve o Guardian.

“Jane” aceitou os pedidos de “Diddy” porque queria agradar-lhe. Algum tempo depois de aceder, os assistentes do artista já agendavam os primeiros encontros com outras pessoas. A mulher passou a participar nos “freak-offs”, as festas sexuais organizadas pelo rapper e também nas “noites de hotel”, encontros em que normalmente eram contratados acompanhantes masculinos. A partir desse momento, “90% dos encontros sexuais” com Combs passaram a incluir outros homens. Nessas ocasiões, Combs assistia, masturbava-se e definia que atos sexuais seriam feitos.

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A mulher afirmou em tribunal que declarou, tanto de viva voz como por escrito, que já não queria participar neste tipo de encontros. Foi pressionada e continuou porque se “sentia obrigada”, disse. Até porque, na altura, dependia financeiramente do produtor, que lhe pagava a casa. “A única razão pela qual me manténs por perto e pagas a casa” é pelos encontros, disse numa mensagem de texto que enviou ao produtor em 2023. “Estou a fazer coisas que me deixam enojada comigo mesma”, afirmou noutra mensagem.

Também admitiu que, em algumas das “noites de hotel”, chegou a entrar em contacto direto com homens com quem já tinha estado noutras ocasiões. Num dos encontros, num Hotel Trump em Nova Iorque, “Jane” não se sentiu atraída por um dos homens contratados pelos assistentes de Sean Combs. Em tribunal, declarou que mandou mensagem a um homem com quem já tinham estado noutra ocasião, a quem pagou um bilhete de avião de Atlanta para Nova Iorque.

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Noutro dos momentos do testemunho desta sexta-feira, relatado pelo Washington Post, a ex-namorada afirmou que, durante o seu aniversário, em 2023, foi convidada por “Diddy” para viajar até Miami. Na altura, achava que passariam tempo a sós. “Lembro-me de me vestir para o jantar e arranjar-me. Estávamos num restaurante de sushi e estava realmente feliz de estar com o meu namorado, ele foi amoroso e doce como sempre. Até que começa a contar-me o que era o entretenimento para a noite.” 

Com dificuldade em terminar o testemunho, entre lágrimas, descreveu que foi levada para um quarto de hotel e surpreendida por três acompanhantes masculinos, que chegaram em diferentes pontos da noite, e com quem “Diddy” queria que tivesse relações. Acedeu, mas pediu que fosse usado preservativo — algo que deixou “Diddy” irado. “Ele não queria ver uma ‘borracha’ enquanto estivesse a assistir”, explicou.

O relato de “Jane” é semelhante ao de Cassie Ventura, a ex-namorada que é uma das testemunhas principais do julgamento. Há uns anos, um vídeo de uma câmara de segurança mostrou a cantora a ser agredida num corredor de um hotel, em 2016. Mais tarde, soube-se que a agressão decorreu durante um “freak-off”.

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O rapper e produtor é acusado por várias pessoas neste julgamento, depois de ter sido preso em setembro de 2024. Um mês depois, eram pelo menos 120 pessoas, incluindo uma mulher que na altura estava grávida e também 25 menores.

“Diddy” Combs é acusado por 120 pessoas de abusos sexuais, incluindo uma grávida e 25 menores. O mais novo era um rapaz de nove anos