Errol Musk — o pai de Elon Musk — é um dos convidados do Fórum para o Futuro 2050, um evento organizado em Moscovo e organizado pelo Tsargrad Institute, um think-tank ultranacionalista russo, que começou esta segunda e termina esta terça-feira.
Esta organização é liderada por Konstantin Malofeev — oligarca ultranacionalista próximo de Vladimir Putin e alvo de sanções ocidentais — e por Alexander Dugin — intelectual de extrema-direita que se assumiu nos últimos anos como o principal ideólogo do Kremlin.
Segundo o The Times, durante a cimeira, Musk descreveu Putin como um “homem muito estável e agradável”, elogiou as suas capacidades de liderança e acusou os “meios de comunicação social falsos” do ocidente de promoverem “disparates completos” sobre a Rússia e de a apresentarem como um inimigo.
Com títulos como “O Mundo Multipolar do Século XXI”, “A Batalha pelos Corações e Mentes: A Ideologia da Rússia Soberana” e “Grande Eurasia 2050”, o painel de conferências ao longo destes dois dias parece querer fazer avançar uma agenda “ultra-conservadora e neo-imperialista para o futuro, junto de audiências no estrangeiro”, escreve o The Moscow Times.
Entre os oradores deste evento encontram-se várias outras figuras ocidentais e de posicionamento próximo a Moscovo ou, pelo menos, crítico do apoio ao esforço de guerra ucraniano após a invasão russa. São o caso do conspiracionista Alex Jones, do economista Jeffrey Sacks e do ex-analista da CIA Larry C. Johnson — os três norte-americanos —, assim como do político britânico George Galloway.
A estes juntam-se figuras do aparelho de estado da Rússia, como o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, o político Sergey Mironov — acusado pelo The Guardian de ter adotado uma criança de dois anos apreendida por Moscovo num lar de acolhimento ucraniano — e o apresentador da televisão estatal russa Dimitri Symes.
A participar no mesmo painel em que participou Musk, Lavrov alegou que o Reino Unido está a dar apoio à Ucrânia para conduzir “ataques terroristas” na Rússia e definiu a invasão como “uma batalha entre o bem e o mal” em que Moscovo se sagrará vitoriosa.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 3.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui e o segundo aqui.]
Antes de participar no encontro, Errol Musk foi citado pela agência noticiosa estatal russa TASS, dizendo-se “ansioso por conhecer toda a gente” na Rússia. “Tanto quanto sei, os russos estão entre as pessoas mais inteligentes do planeta. Seria uma loucura não lhes pedir a opinião sobre todo o tipo de questões”, declarou.
Foi no decurso desta visita à capital russa que surgiram também as declarações do empresário de 79 anos sobre a disputa entre o seu filho Elon e o presidente dos EUA, Donald Trump. “Elon cometeu um erro, acho eu. Mas está cansado, está stressado. Cinco meses de stress sem parar“, afirmou, considerando que o seu filho não será capaz de levar a melhor se continuar. “Trump prevalecerá. Ele é o Presidente”, assumiu.