É das corridas de cavalos mais famosas do mundo mas é também seguro dizer que não é apenas pelo desporto. Aqui a moda atrai tanto ou mais interesse do que quem por lá corre, com um anual desfile de chapéus e os olhos curiosos sobre as escolhas de visual das figuras femininas da família real britânica. É por cá que se reúnem já desde o século XVIII, junto da alta sociedade britânica, ao longo de cinco dias marcados pelas intensas corridas e, lá está, pelos chapéus extravagantes. Este ano a Royal Ascot arranca esta terça-feira, 17 de junho, e estende-se até dia 21, com a especial nota de se assinalarem 200 anos sobre o primeiro cortejo real — tal como o conhecemos atualmente.
Apesar de a origem deste evento remontar a 1711, quando a rainha Ana da Grã-Bretanha fundou Ascot como um local para “cavalos dignos de reis”, só em 1825 é que se deu o primeiro cortejo, pelas mãos do rei Jorge IV. Foi a 31 de maio daquele ano que o monarca, acompanhado pelo duque de Wellington, seguiu em quatro carruagens com membros do grupo real desde o Castelo de Windsor até Ascot. A tradição mantém-se até hoje: ao longo dos cinco dias de corrida os soberanos desfilam numa carruagem puxada por cavalos e acompanhada de outros membros da família real permitindo que os presentes os vejam. O desfile leva os monarcas desde as imediações do Castelo de Windsor até ao Royal Enclosure, local que proporciona uma experiência VIP e que é frequentado por celebridades e até por elementos da realeza.
Com uma conhecida paixão por cavalos, a rainha Isabel II foi durante sete décadas presença assídua naquele que era o seu evento predileto. Em 2013, o seu cavalo Estimate venceu a Gold Cup de Ascot, tornando-se assim na primeira monarca reinante a vencer enquanto proprietária de um dos cavalos a corrida. Depois da sua morte, o Rei Carlos III e a Rainha Camilla estrearam-se em Ascot enquanto monarcas, em junho de 2023, um momento marcado também pela expectativa sobre o visual da rainha consorte, que, ao contrário daquilo a que Isabel II habitou o público — com visuais monocromáticos marcados por cores vivas — surgiu num registo mais leve: um vestido branco da Dior acompanhado por um casaco creme e um chapéu dos mesmos tons. No ano seguinte, o zul dominou.
A moda é assim também uma das grandes atrações de Ascot, a par das corridas de cavalos. Esta reunião de Família Real conta com um dress code exigente — onde o chapéu é a peça principal — aberto à criatividade e exuberância. Em respeito pela tradição, os visitantes têm então de seguir as regras publicadas na íntegra no site do evento: as senhoras devem optar por vestidos ou saias abaixo do joelho, macacões ou calças, sendo que chapéus ou ornamentos para a cabeça são obrigatórios. São ainda encorajadas a usar os melhores looks no Ladie’s Day, que este ano está agendado para quinta-feira, 19 de junho. Para os cavalheiros, o uso de fato preto, cinza ou azul-escuro é obrigatório, a combinar também com um colete. Já nos chapéus, a criatividade fica em casa, podendo ser apenas usada uma peça em preto ou cinza que deverá ser retirada durante as corridas. O evento tem tanto de social como de desportivo: há seis corridas por dia durante os cinco dias do Royal Ascot e este ano são esperados cerca de 250 mil espetadores, segundo a BBC.
Sinónimo de elegância e moda intemporal, o Royal Ascot arranca esta terça-feira, 17 de junho, e espera-se que a família real marque presença, com os visuais de Kate Middleton — já com o hábito de deslumbrar os fãs — como os mais esperados. A princesa de Gales, que raramente passa despercebida, costuma apostar em tonalidades mais suaves para assistir ao evento. Para assinalar os 200 anos do cortejo real, a Royal Ascot lançou um pequeno documentário no YouTube. “O Cortejo Real em Ascot: Celebrando 200 Anos” vem homenagear a tradição de “elegância e ostentação” de Ascot ao longo de cerca de 25 minutos.
Na fotogaleria em cima, recorde alguns dos looks que marcaram anteriores edições do evento.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 5.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]