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Viação Alvorada abre inquérito interno a motorista acusado de racismo

Este artigo tem mais de 1 ano

Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) esclareceram que caso envolveu um motorista da Viação Alvorada, e instaram esta operadora a tomar "providências que o caso exige".

Vereadora independente confirmou que já formalizou a denúncia de racismo junto dos Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML)
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▲Vereadora independente confirmou que já formalizou a denúncia de racismo junto dos Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML)

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

▲Vereadora independente confirmou que já formalizou a denúncia de racismo junto dos Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML)

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

A Viação Alvorada, transportadora na qual trabalha o motorista acusado de racismo por uma vereadora da autarquia de Cascais, abriu um inquérito para apuramento dos factos, ao mesmo tempo que Carla Nunes Semedo já formalizou a queixa.

Em causa está a publicação feita no domingo pela vereadora de Saúde, Assuntos Sociais e Direitos Humanos da Câmara Municipal de Cascais, Carla Nunes Semedo, na qual esta relatou que a sua filha de 17 anos foi alvo de comentários racistas por parte de um motorista de autocarro.

A jovem, negra, terá ouvido do motorista que “não transportava animais”, num episódio ocorrido na sexta-feira, pelas 22h30, numa paragem de autocarro em Carcavelos. Questionada pela Lusa, a Viação Alvorada — que presta serviços à Carris Metropolitana — respondeu esta terça-feira, por escrito, que o inquérito, aberto “de imediato”, ainda se encontra a decorrer.

Sem responder à pergunta sobre se o motorista continua em funções, a transportadora adiantou que estão previstas “ações de formação, reciclagem e procedimentos disciplinares” para responder a “situações que se desenquadrem” das regras de funcionamento. “Em todas as formações é intensificada a conduta de um bom profissional, quer em relação à ética profissional, quer em relação à importância de proceder com urbanidade para com todos”, refere a empresa.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 5.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]

Questionados antes, os Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML), entidade na qual a Área Metropolitana de Lisboa delega competências nos domínios da mobilidade e dos transportes, esclareceram, em resposta à Lusa, que o caso envolveu um motorista da Viação Alvorada. Os TML comprometeram-se com o “cabal esclarecimento” do episódio relatado e instaram a Viação Alvorada a tomar “providências que o caso exige”, ressalvando que “os motoristas ao serviço da Carris Metropolitana são trabalhadores dos operadores responsáveis pela prestação do serviço de transporte rodoviário”.

Entretanto, a vereadora independente eleita nas listas de coligação PSD/CDS-PP, que lidera o executivo camarário de Cascais, confirmou esta terça-feira à Lusa que já formalizou a denúncia de racismo junto dos TML, a quem pediu a identificação do motorista de autocarro, para poder apresentar queixa também na polícia.

Na publicação que fez no domingo, nas redes sociais, Carla Nunes Semedo divulgou uma fotografia com a filha, denunciando que esta “foi vítima de um ataque racista” e prometendo que não permitirá “que o preconceito se sente ao volante do que é público”. A vereadora e psicopedagoga escreveu: “O condutor de autocarro achou por bem dizer-lhe que não transportava animais. Sim, em 2025. Em Portugal. Em Cascais.”

Carla Nunes Semedo justificou assim a publicação: “É duro escrever isto. Mas é mais duro calar. A quem ainda alimenta discursos racistas, com palavras ou com silêncios cúmplices, deixo um recado claro: nós já não somos os mesmos. Não somos mais aqueles que, por respeito ou medo, engoliam em seco o ódio disfarçado de opinião. Não somos mais os que aceitavam ofensas em nome da paz social.”

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