Argentinos contra mexicanos. Muito sol, muito calor e muitos adeptos. Pasadena, Los Angeles, Califórnia. Se não fosse a hora tardia em Portugal continental, com o jogo a arrancar já depois das 2h da madrugada, e o River Plate-Monterrey tinha todos os ingredientes necessários para ser um dos encontros mais antecipados da fase de grupos do Mundial de Clubes.

Na segunda jornada do Grupo E, o River Plate aparecia no Rose Bowl depois de vencer o Urawa Reds e o Monterrey depois de empatar com o Inter Milão — e ambos surgiam já após os italianos derrotarem os japoneses, na tarde deste sábado, saltando provisoriamente para a liderança. E resumo, os argentinos sabiam que uma vitória chegava para garantir desde já o apuramento para os oitavos de final, enquanto que os mexicanos também sabiam que não perder era o suficiente para se manterem na discussão na derradeira jornada.

“Não sei se é uma final, mas é decisivo. Estamos perante a possibilidade de conseguir a vitória e o apuramento e temos de encarar o jogo dessa maneira. Estes jogos são lindos, geram uma antecipação de muito entusiasmo pelo local em que jogamos, pelo que significa a competência, porque enfrentamos um rival difícil, que vai levar a certas obrigações”, explicou Marcelo Gallardo, que perdeu Sebastián Driussi por lesão depois do primeiro jogo.

“Vai ser muito complicado, porque é uma equipa com muita experiência, acostumada a jogar em grandes competições e com um plantel experimentado. Preparámos bem tudo aquilo que temos de fazer. O resultado com o Inter Milão foi médio/bom e isso ajuda a convencer os jogadores de tudo aquilo que queremos mudar. O futebol está a ficar muito equilibrado e este jogo não será mais fácil do que o jogo contra o Inter”, atirou Domènec Torrent.

Ora, no escaldante Rose Bowl, Marcelo Gallardo apostava em Mastuantono e Maximiliano Meza no apoio a Facundo Colidio, com Enzo Pérez a surgir no meio-campo ladeado por Kevin Castaño e Giuliano Galoppo. Já Domènec Torrent tinha Ocampos e Germán Berterame no ataque, com o ex-FC Porto Jesús Corona a saltar para a titularidade e o também ex-FC Porto Óliver Torres a começar no banco. No eixo da defesa, cronicamente, estava Sergio Ramos.

Numa primeira parte que não teve golos, mas contou com 21 faltas e três cartões amarelos, a ideia de competitividade e agressividade não foi propriamente uma novidade. O jogo foi quezilento até ao intervalo, com muitas interrupções e duelos mais aguerridos, e disputou-se mais no campo de batalha do setor intermédio do que junto às balizas. Ainda assim, em linhas gerais, o Monterrey aproximou-se mais do golo no arranque da partida, com o River Plate a responder já à beira do intervalo.

Sergio Canales obrigou Franco Armani a uma defesa apertada (14′), já depois de Ocampos também rematar para intervenção do guarda-redes argentino (6′), e a equipa de Buenos Aires só conseguiu responder a espaços, essencialmente com um livre de Mastuantono que Esteban Andrada parou (27′). Os argentinos cresceram na ponta final da primeira parte, assentando arraiais no meio-campo contrário e vendo Giuliano Galoppo rematar por cima (45′) e Lucas Martínez Quarta atirar ao lado na cara do guarda-redes (45+2′). Ao intervalo, River Plate e Monterrey estavam ainda empatados sem golos.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e o jogo regressou tal como tinha ido para os balneários, com o River Plate a demonstrar alguma superioridade e a chegar com frequência à baliza de Esteban Andrada, sendo que o Monterrey surgia mais recuado e compacto, menos interessado em espaçar linhas. Giuliano Galoppo rematou para as mãos do guarda-redes dos mexicanos (52′), Mastuantono atirou ao lado ainda de fora de área (56′) e Maximiliano Meza também falhou o alvo (58′), com o encontro a desequilibrar-se cada vez mais.

Domènec Torrent foi o primeiro a mexer, lançando Roberto de la Rosa, Johan Rojas e Fidel Ambríz de uma vez, mas o perigo só aparecia mesmo do outro lado e Mastuantono obrigou Andrada a uma defesa enorme com um remate em jeito (67′). Marcelo Gallardo apostou em Nacho Fernández e Miguel Borja e o avançado também teve uma enorme ocasião para marcar, num lance em que ficou na cara do guarda-redes e permitiu a defesa (76′).

Até ao fim, porém, já nada mudou — à exceção da expulsão de Kevin Castaño, que ainda viu o segundo cartão amarelo nos descontos. River Plate e Monterrey não foram além de um empate sem golos no Rose Bowl e deixaram os argentinos empatados com o Intre Milão na liderança do Grupo E, enquanto que os mexicanos terão de vencer o Urawa Reds na última jornada e esperar por um resultado simpático no outro jogo para ainda sonharem com os oitavos de final do Mundial de Clubes.

A pérola

Num jogo que terminou sem golos, um guarda-redes. Esteban Andrada foi crucial para manter a baliza do Monterrey inviolada, com uma mancha gigante a Lucas Martínez Quarta ainda na primeira parte e enormes defesas a oportunidades de Mastuantono e Miguel Borja na segunda. Aos 34 anos, no México desde 2021 depois de várias temporadas entre Lanús e Boca Juniors, o guarda-redes argentino é claramente parte da espinha dorsal de Domènec Torrent.

O joker

Sem que tenha conseguido fazer a diferença no que realmente importa, Franco Mastuantono. O avançado de 17 anos que já assinou pelo Real Madrid não precisa de muito espaço para explicar o porquê de ter levado os merengues a investir e foi um constante desequilibrador do River Plate — protagonizando uma oportunidade clara em que obrigou Esteban Andrada a uma enorme defesa em voo.

A sentença

Com este resultado, River Plate e Inter Milão estão agora em igualdade pontual no Grupo E, com quatro pontos, sendo que o Monterrey tem dois e o Urawa Reds já está eliminado. Tudo ficará decidido na última jornada, onde os mexicanos defrontam os japoneses e têm de esperar por um resultado simpático entre argentinos e italianos para ainda poderem sonhar pelo apuramento para os oitavos de final do Mundial de Clubes.

A mentira

O Monterrey não é a equipa que aparentou ser contra o Inter Milão. Embora tenham tido algum ascendente na fase mais embrionária da partida, os mexicanos perderam o controlo das ocorrências à chegada ao intervalo e foram claramente inferiores na segunda parte, remetendo-se a defender e a tentar surpreender o adversário com transições rápidas.