O diretor da unidade de dermatologia do hospital de Santa Maria, Paulo Filipe, apresentou a demissão após ter tido conhecimento das conclusões preliminares da auditoria pedida pelo Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) de Santa Maria às cirurgias feitas aos fins de semana, avançou a CNN Portugal e confirmou ao Observador fonte oficial da ULS.

A demissão, que já foi aceite, acontece após serem conhecidos casos de dermatologistas que receberam montantes avultados por cirurgias adicionais. O médico colocou o lugar à disposição esta segunda-feira à tarde durante uma reunião do Conselho de Administração da ULS, na qual esteve presente e na qual lhe foram transmitidas as conclusões preliminares da auditoria à atividade cirúrgica adicional no serviço de Dermatologia.

Para o lugar de Paulo Filipe deverá ser nomeado nas próximas horas um diretor de serviço interino.

O caso que deu origem à polémica no hospital de Santa Maria foi o do médico Miguel Alpalhão, que terá recebido cerca de 400 mil euros por cirurgias feitas em dez sábados. Entretanto, o médico garantiu, em entrevista ao Expresso, não ter violado as regras e referiu que só operou quem precisava de ser operado.

Depois de o caso de Miguel Alpalhão ter sido revelado, em maio, o Conselho de Administração do Santa Maria, liderado por Carlos Martins, decidiu abrir uma auditoria ao serviço de Dermatologia. As conclusões preliminares indicam falhas graves na área das cirurgias adicionais, apurou o Observador, o que motivou a decisão de Paulo Filipe abandonar o cargo.

Dermatologista do Hospital de Santa Maria ganhou mais de 51 mil euros num só dia de trabalho

Depois desse caso, foi divulgado pela CNN que uma outra médica do serviço, Rita Travassos, terá registado em seu nome cirurgias adicionais, nas quais não participava, estando inclusivamente for do país no dia em que uma desses procedimentos foi realizado. Em apenas sete sábados, a dermatologista terá recebeido 113 mil euros.

Esta manhã, a ministra da Saúde reagiu à demissão de Paulo Filipe, pedindo que “se apure o que se passou no serviço de Dermatologia”. “Falamos do maior hospital do país e é fundamental que as coisas se esclarecem, e que as medidas que tenham de ser tomadas aconteçam rapidamente”, disse Ana Paula Martins, que foi presidente do hospital de Santa Maria durante todo o ano de 2023.

O valor pago pelas cirurgias feitas em horário adicional na ULS de Santa Maria subiu mais de 50% de 2022 para 2023, no ano em que a atual ministra da Saúde dirigiu o hospital. Os dados enviados à Lusa pelo hospital indicam que em 2022 foram pagos 9.402.120 euros pelas 7.495 cirurgias feitas em horário adicional e em 2023 a ULS pagou 14.232.377 euros (+51,3%) por 9.971 daquelas cirurgias.

Em 2024, o número de cirurgias em horário adicional subiu para 12.322, pelas quais a ULS pagou 14.510.334 euros.

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