Era uma autêntica final — ainda que ficasse a ideia de que um dos finalistas partia à frente do outro. No Hard Rock Stadium de Miami, Mamelodi Sundowns e Fluminense defrontavam-se e sabiam que o vencedor garantia o passaporte de acesso aos oitavos de final do Mundial de Clubes. Os brasileiros, porém, também sabiam que um simples empate garantia o mesmo, enquanto que os sul-africanos estavam mesmo obrigados a ganhar.

O Mamelodi Sundows, octocampeão da África do Sul, surgia na última jornada do Grupo F com três pontos depois de vencer o Ulsan HD e ter perdido com o Borussia Dortmund apesar de ter marcado três golos aos alemães e ter dificultado muito a vida à equipa de Niko Kovac. Já o Fluminense, vencedor da Taça Libertadores em 2023, chegava à última jornada com quatro pontos depois de ter vencido o mesmo Ulsan HD, mesmo sofrendo dois golos, e empatado com o Borussia Dortmund na abertura.

“Tem sido uma experiência incrível para estes jogadores e acho que vamos crescer muito com este jogo. Agora conseguimos entender que podemos mesmo competir este tipo de equipas. Essa é a perspetiva que vamos levar para este jogo, para que possamos competir novamente. Sei que a África do Sul vem, há muito tempo, pedindo um futebol bonito. Para que possamos alcançar a nossa própria identidade. Sempre fomos e seremos fortes, resilientes e corajosos. A pressão é muito alta nesse tipo de jogos e erros podem acontecer, por isso apoio os rapazes. Neste clube, só existe apoio e treino. Como é que posso construir confiança se não confio nos jogadores quando há erros?”, atirou Miguel Cardoso, treinador dos sul-africanos que ao longo dos últimos dias foi tratado como “Guardiola africano”, por também ser careca.

Neste contexto, o técnico português mantinha a aposta em Tashreeq Mattheews em detrimento de Arthur Sales, tal como já tinha acontecido contra o Borussia Dortmund, e tinha os crónicos Lucas Ribeiro e Marcelo Allende no apoio. Já Renato Gaúcho, do lado dos brasileiros, deixava o capitão Thiago Silva no banco, com Germán Cano, Jhon Arias e Agustín Canobbio a surgirem no ataque.

Numa primeira parte que terminou sem golos, o Mamelodi Sundowns começou claramente por cima e teve várias oportunidades para abrir o marcador. Lucas Ribeiro rematou para Fábio defender (6′), Divine Lunga fez o mesmo (9′) e Tashreeq Matthews, na cara do guarda-redes brasileiro, permitiu uma defesa enorme (8′). A partir da meia-hora, porém, o Fluminense começou a crescer no jogo. Os brasileiros recuperavam a bola com alguma facilidade, graças a uma pressão muito alta, e Nonato poderia ter feito melhor com um pontapé de fora de área que passou ao lado (41′). Ao intervalo, Mamelodi Sundowns e Fluminense estavam empatados — ou seja, virtualmente, os sul-africanos estavam eliminados e os brasileiros estavam apurados.

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Miguel Cardoso mexeu logo ao intervalo, trocando Mokoena por Jayden Adams, mas os brasileiros iam conseguindo adormecer o jogo e levar os sul-africanos para esse ritmo. Germán Cano ficou muito perto de abrir o marcador com um remate ao poste após assistência de Jhon Arias na direita (58′) e o treinador português decidiu fazer mais duas substituições, colocando Arthur Sales e Mosa Lebusa em campo, enquanto que Renato Gaúcho apostou em Keno e Facundo Bernal.

No fim, porém, já nada mudou. Mamelodi Sundowns e Fluminense empataram sem golos em Miami e os sul-africanos terminaram no terceiro lugar do Grupo F e consequentemente eliminados, enquanto que os brasileiros ficaram na segunda posição e atrás do Borussia Dortmund, marcando encontro com o vencedor do Grupo E nos oitavos de final do Mundial de Clubes.

A pérola

Num jogo onde as balizas não tiveram grandes aproximações e os principais duelos decorreram na zona do meio-campo, Fábio teve a capacidade de segurar o nulo logo nos instantes iniciais — no momento em que Tashreeq Matthews, na área e isolado, poderia ter colocado o Mamelodi Sundowns a ganhar ainda dentro dos primeiros dez minutos. Aos 44 anos e sem Thiago Silva em campo, o guarda-redes assumiu-se ainda mais como líder da equipa e levou o Fluminense até aos oitavos de final.

O joker

Tal como já tinha acontecido nas outras duas jornadas, Jhon Arias voltou a ser um dos melhores elementos do Fluminense. Com a braçadeira de capitão face à ausência de Thiago Silva, o avançado colombiano foi novamente o mais inconformado dos brasileiros, chegando a ficar perto do golo na primeira parte e assistindo Germán Cano para um remate ao poste na segunda.

A sentença

Com este resultado e a vitória do Borussia Dortmund frente ao Ulsan HD, o Fluminense ficou no segundo lugar do Grupo F e vai cruzar com o vencedor do Grupo E nos oitavos de final, adversário que ainda pode ser River Plate, Inter Milão ou Monterrey — ou seja, em conjunto com Palmeiras, Botafogo e Flamengo, garantiu o pleno dos clubes brasileiros na fase a eliminar. Já o Mamelodi Sundowns fica no terceiro lugar do grupo, ainda à frente dos sul-coreanos, e falha a passagem à próxima fase.

A mentira

O Mamelodi Sundowns não merecia ter sido eliminado. Apesar de depender apenas de si para chegar aos oitavos de final e de não ter conseguido marcar, a equipa de Miguel Cardoso foi sempre a que mais quis ganhar e mostrou-se mais consistente do que o Fluminense no conjunto das três jornadas. No fim, faltou mesmo um golo para o histórico apuramento de uma equipa que levou a festa da África do Sul aos estádios dos Estados Unidos.