A embaixadora da Finlândia em Portugal, Titta Maja-Luoto, continua debaixo de fogo. Tendo admitido durante o fim de semana que por “duas vezes” teve um “comportamento inadequado” com os funcionários da embaixada, a diplomata foi convocada, esta segunda-feira, para uma audiência no Ministério dos Negócios Estrangeiros finlandês, depois da qual será tomada uma decisão em relação ao futuro profissional da responsável pela diplomacia de Helsínquia em território nacional.

A informação foi avançada ao jornal finlandês STT por Niina Pesonen, que chefia o departamento de Recursos Humanos do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Finlândia. A data da audiência ainda não é conhecida. Contudo, segundo a mesma responsável, a situação está a ser tratada de forma urgente pela diplomacia de Helsínquia. Entre as possíveis consequências está a demissão de Titta Maja-Luoto ou uma advertência à embaixadora.

Durante o fim de semana, em entrevista à agência de notícias finlandesa STT, Titta Maja-Luoto reconheceu “duas situações” em que acredita que se “comportou de maneira inadequada”. Em contrapartida, na sexta-feira, numa entrevista feita à Agência Lusa, a embaixadora finlandês em Lisboa recusou todas as acusações de assédio e comportamento inapropriado de que se queixaram todos os funcionários da embaixada, que relataram situações de assédio, intimidação, insultos, discriminação tendo em conta a idade, comportamento racista e abuso emocional.

A primeira vez em que a embaixadora se exaltou ocorreu nas cerimónias do Dia da Independência da Finlândia, celebrado a 6 de dezembro, contou à imprensa finlandesa. “Usei linguagem excessivamente dura e um tom desagradável com a equipa da cozinha”, admite.

Racismo e críticas aos portugueses. Embaixadora da Finlândia em Lisboa alvo de queixas pelos funcionários

A segunda vez em que Titta Maja-Luoto reconheceu que agiu mal aconteceu durante uma reunião destinada ao planeamento de eventos na embaixada. “Naquela situação, não me comportei com a dignidade que um embaixador deve ter. Usei uma expressão desagradável com os meus colegas”, assume. A embaixadora recorda ter usado uma expressão como “‘esperaria um trabalho melhor’” e considera que, estando “cercada de colegas com muitos anos de experiência”, os mesmos deveriam ter sido mais competentes. 

“Houve falhas claras da minha parte. Deveria ter entendido que, quando faço uso da minha autoridade em relação aos meus subordinados, isso pode deixar-lhes cicatrizes permanentes se eu falar com eles num tom desagradável. Acho que mereço ser repreendida por isso”, afirma, citada pelo jornal Helsingin Sanomat, ressalvando que pediu desculpa aos envolvidos e que, fora estas situações, não acredita que tenha tido um comportamento inapropriado — negando as acusações de racismo de que é alvo.

Num memorando a que teve acesso o jornal Ilta-Salomat, Titta Maja-Luoto aponta ainda o dedo à sua antecessora, Satu Suikkari-Kleven. A atual embaixadora lamenta que tenha herdado “problemas” da antiga gestão. Ao mesmo jornal, a antiga representante da diplomacia finlandesa em Lisboa nega por completo as acusações. “Discordo totalmente. Tenho ótimas lembranças. Fizemos um bom trabalho em cooperação com a equipa”, garante Satu Suikkari-Kleven.

Os funcionários nunca se queixaram da antiga embaixadora, sendo que várias fontes da diplomacia de Helsínquia relatam à imprensa finlandesa que os problemas começaram quando Titta Maja-Luoto assumiu o cargo, em setembro do ano passado.

A imprensa finlandesa, que denunciou o caso, escreve que Titta Maja-Luoto terá tido “birras assustadoras” e “acessos de raiva” com os funcionários da embaixada, incluindo três portugueses, que apresentaram queixa contra a embaixadora em fevereiro de 2025.

Embaixadora finlandesa em Lisboa nega acusações de assédio, intimidação e insultos

Na entrevista à Agência Lusa, em que nega as acusações, Titta Maja-Luotto admite que “a linha da comunicação nem sempre foi tão aberta quanto deveria” e que os funcionários estão “sob stress mental”.

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