O primeiro-ministro e o líder do Chega vão encontrar-se esta quinta-feira na residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, para discutir as propostas sobre imigração, nacionalidade e impostos que vão ser votadas esta semana no Parlamento. O encontro entre Luís Montenegro e André Ventura, até agora o único líder partidário com audiência marcada em São Bento, surgiu por pedido de Ventura.
Depois de André Ventura ter afirmado publicamente que iria encontrar-se com o primeiro-ministro, o Governo confirmou que a reunião terá lugar esta quinta-feira, véspera de votações parlamentares. “Confirmamos o encontro amanhã [quinta-feira] às 17h na residência oficial do primeiro-ministro a pedido do líder do Chega, André Ventura”, fez o gabinete do primeiro-ministro questão de sublinhar, na mensagem enviada aos jornalistas.
Na perspetiva de Ventura, o encontro deverá servir para chegar a um “mínimo consenso possível” para “aprovar já na sexta-feira medidas que entrem em vigor rapidamente no país”, sobre a redução do IRS (que tem moldes diferentes nas propostas do Governo e do Chega) e sobre as alterações a leis sobre imigração e nacionalidade.
Aos jornalistas, durante a tarde desta quarta-feira, Ventura adiantou: “Estarei amanhã com o primeiro-ministro, que acho que é o que um líder de um partido deve fazer. (…)Penso que terei a oportunidade de, se isso acontecer, podermos anunciar que se chegou a esse entendimento, com o primeiro-ministro”, afirmou, pedindo ao Executivo que tenha a “boa vontade para chegar a um entendimento ainda esta noite [de quarta-feira] ou durante o dia de amanhã”.
“Vamos esperar que a reunião decorra com o Governo para ver também qual é a abertura que o Governo tem para este caminho que está a ser feito. Agora, é importante também que o Governo decida que caminho quer fazer nesta legislatura” e verificar se mostra “boa vontade” para negociar com a oposição, afirmou, admitindo que os diplomas possam descer à especialidade sem serem votados para já, mas alertando que nesse caso “o processo será mais longo, demorará mais”.
“Acho que se houver boa vontade, se houver líderes com boa vontade e partidos com boa vontade, nestas matérias sensíveis conseguiremos, pelo menos, chegar a um entendimento comum e garantir que as leis entram em vigor rapidamente e não vamos andar agora meses e meses e meses numa discussão que as pessoas depois deixam de acompanhar para não entrar em vigor em nada”, defendeu, depois de já ter insistindo publicamente na perda automática de nacionalidade para quem cometer crimes graves (o Governo propõe que a perda aconteça se for determinada por um juiz) e no fim do regime especial para obter autorização de residência para cidadãos da CPLP, assim como no fim do reagrupamento familiar (o Executivo restringe-a para ser aplicável apenas a menores de idade).
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Enquanto Ventura falava as medidas já estavam a ser negociadas, mas por uma delegação composta, do lado do Chega, pelos deputados Pedro Pinto e Rui Afonso e, do lado do Governo, pelos ministros Carlos Abreu Amorim e António Leitão Amaro. Como o Observador avançou, o Executivo marcou reuniões com o Chega, para as 17h, e com a Iniciativa Liberal, para as 18h15, sobre estes assuntos, na sala do Governo, na Assembleia da República.
Já o PS será recebido esta quinta-feira, pelas 8h45. José Luís Carneiro já adiantou que o PS não poderá acompanhar as medidas relativas à imigração nos moldes em que foram entregues no Parlamento, e também já sinalizou que pedirá uma reunião com o primeiro-ministro, agora que é oficialmente secretário-geral do PS.
As propostas do Governo para apertar as regras da imigração e a Lei da Nacionalidade e para reduzir o IRS em 500 milhões de euros, assim como as medidas alternativas com que parte da oposição avançou entretanto, serão discutidas e votadas esta sexta-feira.