Na semana passada, o pugilista mexicano Julio César Chávez Jr, de 39 anos, lutou e perdeu contra o influencer Jake Paul, num combate em Anaheim, na Califórnia. Esta quarta-feira, foi detido pelo Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE, na sigla inglesa) e deve ser deportado para o país natal, segundo a Presidente mexicana, Claudia Sheinbaum.
A detenção foi confirmada pelo Departamento de Segurança Interna (DSI) — do qual o ICE faz parte –, que citou as ligações de Chávez ao cartel de Sinaloa e o facto do visto do pugilista ter expirado em fevereiro de 2024, tendo procurado obter um visto de residência permanente fundamentado num casamento com alguém próximo do gangue mexicano.
“A candidatura de Chávez baseou-se no seu casamento com uma cidadã americana, que está ligada ao Cartel de Sinaloa através de uma relação anterior com o filho, já falecido, do infame líder do cartel Joaquin “El Chapo” Guzmán”, lê-se no comunicado das autoridades.
On July 2, ICE arrested Mexican boxer and criminal illegal alien Julio Cesar Chavez Jr.
He is now being processed for expedited removal from the United States. This Sinaloa Cartel affiliate has an active arrest warrant in Mexico for his involvement in organized crime and… pic.twitter.com/c4QeRVpCEr
— Homeland Security (@DHSgov) July 3, 2025
Num comunicado do Departamento lê-se que o ICE “deteve o proeminente pugilista mexicano e criminoso estrangeiro ilegal Julio Cesar Chávez Jr., e está a processá-lo para uma remoção rápida dos Estados Unidos“.
O advogado de defesa de Chávez, Michael Goldstein, conta que mais de 20 agentes do ICE entraram na casa do pugilista em Los Angeles na quarta-feira e detiveram o mexicano.
A mulher do pugilista, Frida Muñoz, esteve casada com Edgar, filho de “El Chapo” morto em 2008, esclarece a Reuters. O cartel de Sinaloa, dividido em dois grupos numa guerra civil, foi declarado uma “organização terrorista” por Donald Trump numa ordem executiva emitida no primeiro dia de mandato.
Segundo as autoridades norte-americanas, Chávez tinha “um mandado de detenção ativo no México pelo seu envolvimento no crime organizado e no tráfico de armas, munições e explosivos”. Do lado mexicano, esta informação foi corroborada pela Presidente do país, Claudia Sheinbaum.
“Em parte, a detenção tem a ver com este mandado de captura no México e espera-se que possa haver uma deportação e que ele possa cumprir a sua pena no México“, disse Sheinbaum, na sua conferência de imprensa diária, na qual admitiu que só soube do mandado quando a notícia da detenção nos EUA surgiu.
Segundo o departamento responsável, os serviços de imigração já tinham encaminhado um aviso ao ICE de que o pugilista era uma “ameaça grave à segurança pública”, apontando o dedo à Presidência de Joe Biden.
“Uma entrada num sistema de aplicação da lei do DSI durante a administração Biden indicava que Chavez não era uma prioridade de aplicação da lei de imigração“, afirmam.
O advogado de Julio Cesar Chávez negou as ligações levantadas pelas autoridades. “As alegações atuais são ultrajantes e parecem ter sido concebidas como uma manchete para aterrorizar a comunidade”, disse, citado pela Reuters.
De acordo com o Departamento de Segurança Interna, Chávez foi condenado em Los Angeles em 2024 por posse de arma ilegal, algo que Goldstein nega, conta a Reuters, afirmando que o tribunal tinha declarado uma medida de segurança ao pugilista, encaminhando-o para tratamento.
A família do pugilista no México, num comunicado publicado na rede social X, disse confiar “plenamente na sua inocência e nas suas qualidades humanas, bem como nas instituições de justiça”.
COMUNICADO DE PRENSA
FAMILIA CHAVEZ pic.twitter.com/B19lRhcUov— Julio César Chávez (@Jcchavez115) July 3, 2025
“A nossa família está profundamente chocada com a situação atual. Neste momento difícil, reiteramos o nosso apoio total e incondicional a Julio”, lê-se.
“Julio é, acima de tudo, um filho, um pai e um ser humano que enfrentou múltiplos desafios na sua vida pessoal e profissional. Como família, pedimos respeitosamente que seja garantido o devido processo legal e que sejam evitados julgamentos prematuros que violem a sua dignidade e a dignidade dos que o rodeiam”, disse ainda a família.