Eram 8h50 em Paris (7h50 em Lisboa), quando vinte polícias e dois juízes de instrução entraram na sede da União Nacional (RN, na sigla em francês), partido de Marine Le Pen, e confiscaram todos os “emails, documentos e registos contabilísticos” do partido francês. O relato das buscas desta quarta-feira foi feito por Jordan Bardella, líder do partido da direita radical, que recorreu às redes sociais para denunciar o que disse ser “uma operação de assédio“.

As buscas foram feitas no âmbito de uma operação judicial aberta no verão de 2024 que visa o financiamento ilícito das campanhas da RN nas eleições legislativas e presidenciais de 2022, assim como nas eleições para o Parlamento Europeu em 2024, segundo apurou o Le Monde. O gabinete do procurador de Paris, citado pelo mesmo jornal, adiantou que os “gabinetes das empresas [responsáveis pela gestão das campanhas] e as casas dos indivíduos que gerem as empresas” também foram alvo de buscas.

Segundo o comunicado da procuradoria, nenhum “indivíduo ou entidade legal foi acusado no âmbito da operação”, mas a investigação vai continuar. O Le Monde avança ainda que vários líderes da RN por todo o país têm sido questionados sobre o financiamento destas mesmas campanhas. A investigação procura ainda apurar se o partido entregou recibos de despesas de campanha alterados que levaram à atribuição de fundos públicos mais elevados do que o suposto.

O tesoureiro da RN, Kévin Pfeffer, detalhou ao jornal francês o que as autoridades “pediram todos os documentos [das campanhas], notas, cadernos, preparações para as transmissões de Jordan Bardella, tudo”. As buscas foram levadas a cabo na presença do advogado e do chefe de gabinete do partido, dado que Bardella se encontra no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. Isso não o impediu de criticar a operação “espetacular e sem precedentes” como um “sério ataque ao pluralismo e à mudança democrática”.

O líder do partido afirmou ainda que se tratou de “uma nova operação de assédio” e que “nunca um partido da oposição sofreu tantos ataques tão implacáveis durante a Quinta República” — numa referência à condenação judicial de que a líder Marine Le Pen foi alvo no início deste ano e que a impede de se candidatar às próximas eleições presidenciais ou de renovar o seu mandato na Assembleia Nacional.

As buscas em Paris foram levadas a cabo pela brigada financeira e anti-corrupção, uma nova equipa da polícia francesa que resulta da fusão entre a brigada financeira e a brigada de combate à corrupção. A operação acontece no dia a seguir à Procuradoria Europeia também ter aberto uma investigação à RN por irregularidades financeiras.

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