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A Ucrânia deteve dois cidadãos chineses na capital de Kiev, sob acusações de tentarem roubar “documentações classificadas sobre o sistema de mísseis ucraniano RK-360 MC Neptune”, informam os Serviços de Informações da Ucrânia (SBU, na sigla ucraniana). A China garante que irá “salvaguardar os direitos dos cidadãos chineses”.

Num comunicado partilhado no Telegram na quarta-feira, os serviços explicam que os dois detidos são um antigo estudante de 24 anos que foi expulso de uma universidade em Kiev e o seu pai, que vivia na China mas que o visitava frequentemente.

“De acordo com o processo, o antigo estudante chinês tinha como objetivo obter documentação técnica sobre a produção de Neptunes ucranianos Para o efeito, tentou recrutar um cidadão ucraniano envolvido no desenvolvimento das mais recentes armas das Forças de Defesa”, lê-se no comunicado.

O pai, lê-se ainda, servia como intermediário para a transmissão de informações para a espionagem chinesa. Não é claro se a alegada operação de espionagem foi realizada apenas para benefício da China ou para ajudar a Rússia. Kiev tem dito, nos últimos meses, que Pequim, que tenta projetar uma imagem de neutralidade, está a ajudar o esforço de guerra do Kremlin – e este caso pode ser um exemplo.

Segundo o SBU, o jovem foi expulso de uma universidade ucraniana em 2023 devido ao fraco desempenho académico – mas permaneceu no país. Entretanto, terá tentado recrutar um cidadão ucraniano que tinha acesso a tecnologias de defesa confidenciais, com o objetivo de recolher informações técnicas sobre o sistema de mísseis RK-360 MC Neptune.

Estes mísseis foram utilizados para destruir o principal navio da frota russa no Mar Negro nos primeiros meses da guerra. Desde então, foi usado contra outros alvos, incluindo terminais petrolíferos russos.

Pequim reagiu dizendo que ainda está a “verificar” o caso mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros salientou: “se estão envolvidos cidadãos chineses, nós… salvaguardaremos os direitos e interesses legítimos dos cidadãos chineses de acordo com a lei”.

“Os detidos podem ser condenados a uma pena de prisão até 15 anos, com confiscação de bens”, informam os SBU.

Os anúncios russos usados para recrutar chineses para combater na Ucrânia