A Agência de Modernização Administrativa (AMA) já deu luz verde à instalação de um sistema de inibidores de sinal de telemóvel no Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus, autorização que era necessária de forma a que o concurso pudesse avançar.

O envio do parecer foi confirmado esta quarta-feira ao Observador por fonte oficial do Ministério Adjunto e da Reforma do Estado: “O parecer da AMA já foi emitido, cumprindo os prazos legais.” O Ministério da Justiça detalhou esta quarta-feira que o parecer foi favorável e que por isso, “a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) poderá prosseguir com o procedimento pré-contratual“.

Segundo a lei, o parecer da AMA é emitido no prazo de 30 dias a contar, “respetivamente, da informação enviada pelo órgão competente para a decisão de contratar, ou da comunicação prevista” por motivos de “urgência imperiosa resultante de acontecimentos imprevistos” ou para “contratações relativas à aquisição, à manutenção ou à evolução de sistemas operacionais críticos”.

Governo tenciona avançar com concurso público internacional

A ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, anunciou em janeiro que o Governo queria realizar um concurso público internacional para instalar os inibidores de sinal. Dias depois, a Assembleia da República aprovou projetos de resolução que recomendavam a instalação destes sistemas.

Numa entrevista dada nesse mês, a ministra sublinhou a importância do sistema porque os telemóveis “muitas vezes são usados na preparação da fuga ou na perpetuação da atividade criminal”. “Está um plano definido e vamos lançar um concurso, que espero que possa ser lançado este ano. Vai ajudar também a aliviar na missão dos guardas prisionais e na segurança dos estabelecimentos prisionais. Queremos colocar em todas as cadeias e o valor para isso não é inferior a 10 milhões de euros”, afirmou Rita Alarcão Júdice.

O projeto-piloto dos inibidores de sinal irá primeiro incidir no estabelecimento prisional de Vale de Judeus, de onde fugiram cinco reclusos — entretanto recapturados — em setembro de 2024. A fuga levou a um investimento no reforço de segurança nas prisões que se iniciou com uma auditoria terminada no fim de dezembro, cujo relatório nunca foi revelado por razões de segurança.

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Na sua tomada de posse, também Orlando Carvalho, diretor-geral das prisões, frisou a importância dos inibidores de sinal, reconhecendo em novembro de 2024 que o processo “não vai ser fácil” por questões técnicas e orçamentais.

Em 2024, foram apreendidos 1.642 telemóveis em estabelecimentos prisionais, menos 150 que no ano anterior, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI).

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