O Millennium BCP obteve lucros de 502,3 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, uma subida de 3,5% em termos homólogos. Em comunicado à CMVM esta quarta-feira, o BCP revela que o resultado líquido da atividade em Portugal aumentou 3,2%, para 424 milhões de euros.

Já o resultado líquido das operações internacionais do banco subiu 11,8% passando para 146,6 milhões de euros.

A margem financeira do banco — a diferença entre os juros que paga e os juros que recebe nos créditos — subiu 3,3% no semestre, para 1.444,1 milhões de euros.

O volume de negócios do grupo ascendeu a 167 mil milhões de euros no semestre e foi registado um total de 7,1 milhões de clientes. Em Portugal, o volume de negócios semestre foi de 114 mil milhões de euros e a operação portuguesa totaliza 2,8 milhões de clientes.

O valor das comissões cobradas pelo BCP subiu 4% no semestre, para 413,8 milhões de euros, com as comissões bancárias a representar a fatia de leão. Em Portugal, as comissões cresceram 6,7% em relação ao semestre homólogo, para 307,1 milhões de euros.

A carteira de crédito do grupo cresceu 3,4%, passando a ser de 60,3 mil milhões de euros. O crédito à habitação representou 29,3 mil milhões de euros, enquanto o crédito às empresas ascendeu a 23,4 mil milhões. Olhando apenas para a operação em Portugal, a carteira de crédito aumentou 4,6% até junho, para 41,5 mil milhões de euros. 

Os custos operacionais do grupo BCP aumentaram 10,5% para 683,5 milhões de euros — deste valor, 383,3 milhões estavam ligados a custos com pessoal. Em Portugal, os custos operacionais subiram 8,5% para um total de 342,4 milhões de euros.

Durante a conferência de imprensa de apresentação, Miguel Maya destacou que o primeiro semestre “ainda foi muito marcado por incerteza e volatilidade decorrente da situação macroeconómica e geoestratégica pelos efeitos das guerras que se fazem sentir”. Assim, criou-se um “ambiente de maior incerteza, que nunca é favorável à economia, não obstante hoje os números publicados pelo INE terem sido positivos para a economia portuguesa”, disse o líder do BCP.

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No primeiro trimestre deste ano, o banco liderado por Miguel Maya registou lucros de 243,5 milhões de euros, uma subida homóloga de 3,9%.

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Garantia pública tem “papel francamente positivo” mas não deve ser confundido com resolução do problema da habitação”

Miguel Maya concretizou durante a apresentação de resultados que o BCP já “utilizou, entre crédito contratado e em fase de contratação, cerca de 30% da garantia pública” do crédito à habitação jovem. “Dentro do crédito à habitação total, primeira habitação, os jovens no conceito escolhido para efeitos da garantia, representam cercam de 60% da procura de habitação.”

Ainda que diga que a “garantia tem desempenhado um papel francamente positivo” no acesso à primeira habitação para jovens até 35 anos, “não resolve o problema da habitação em Portugal, de todo”.

“A garantia permite acesso a uma franja de clientes, nomeadamente do segmento jovem, a comprarem casa e a poder estabelecer vida própria independente mais cedo, dessa forma podendo contribuir para o aumento da natalidade em Portugal. É todo um círculo virtuoso que existe quando as pessoas têm possibilidade de ter a sua independência.”

Voltou a insistir que a “habitação é um problema sério em Portugal, que não se resolve com soluções simples”.

BCP admite reavaliar parceria que tem em França com dono do Novo Banco, mas “sem qualquer urgência”

Durante a conferência de imprensa, Miguel Maya foi questionado sobre a compra do Novo Banco pelos franceses do BPCE. “É uma solução correta, é um operador com enorme prestígio, aliás é parceiro do BCP numa operação em França.”

O líder do BCP explicou que se trata de uma “parceria muito bem sucedida ao longo de várias décadas” com o BPCE. Concretizou que a participação que o BCP detém no banco em França é de 20%. Com o banco francês a passar a controlar o Novo Banco, Maya admite que chegará “o momento” em que será preciso analisar “como é que esta parceria se vai posicionar face ao novo enquadramento”.

Mas afasta ideias de “urgência” na avaliação. “Estamos a falar de gente que é muito profissional, que conhecemos muitíssimo bem ao longo de muito tempo. Estou absolutamente seguro de que já veremos se há algo que tenha de ser alterado.” Afirmou que não deverá ser “prioridade”: “a prioridade deles será seguramente conhecerem melhor o Novo Banco”. O grupo BPCE comprou o Novo Banco em junho, por 6,4 mil milhões de euros. 

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Relatou um contacto regular com o banco francês no âmbito da parceria. “Se houver alguma coisa a alterar, vamos alterar. Não é nem uma prioridade nem nada que mereça uma especial atenção.”

Classificou o BPCE como uma “instituição muito credível”, que ao ser “forte naturalmente” levará o BCP a esperar “maior concorrência em Portugal”, reforçando as declarações que já tinha dado ao Cheque In do Observador. 

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Lucros do BCP em Moçambique recuaram quase 49% devido à instabilidade no país

Em relação às operações internacionais, Miguel Maya detalhou que os resultados em Moçambique caíram 48,8% no semestre, passando de 46,3 milhões de euros até junho de 2024 para 23,7 milhões de euros este ano.

“O Millenium bim é influenciado por contexto”, explicou o líder do banco, que mencionou a “situação desafiante que o país viveu pós as eleições presidenciais” de outubro de 2024. Apesar de a situação ter vindo a normalizar, a operação moçambicana ficou marcada “pelo downgrade do rating da República [de Moçambique], que naturalmente tem implicações ao nível das imparidades constituídas. Assim, a operação moçambicana registou um aumento de 24,7 milhões de euros em provisões e imparidades face ao período homólogo.

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Nesta operação, os recursos de clientes cresceram 6,1% para 2,2 mil milhões de euros e o crédito a clientes (bruto) subiu 3,9% para 640 milhões de euros.

Já na operação da Polónia, o Bank Millennium, o resultado líquido cresceu 43,1% para 121,1 milhões de euros. Este resultado foi influenciado por encargos associados à carteira de créditos hipotecários CHF e pelo “pagamento do imposto especial sobre o setor bancário polaco”, foi explicado. Enquanto os recursos a clientes cresceram 6,7%, passando para 31,8 mil milhões de euros, o crédito a clientes (bruto) recuou 0,7% para 18,1 mil milhões.