Um novo caso de alegada submissão química de uma mulher está a agitar a opinião pública em França, com a memória ainda muito presente do julgamento do marido de Gisèle Pelicot, no final de 2024. O Ministério Público francês revelou no sábado que um homem de 62 anos foi acusado, na cidade de Dijon, de embebedar a mulher, até ao ponto de esta perder a consciência, para depois a violar e deixar que fosse violada por outros homens numa festa de cariz sexual.

Um dos testemunhos, segundo a procuradoria francesa citada pelo Le Monde, surgiu de um homem que, na madrugada da passada sexta-feira, por volta das 2h50, se dirigiu às autoridades depois de sair de um “encontro libertino em Dijon, durante o qual uma mulher lhe fez sexo oral”. O homem “expressou dúvidas sobre o consentimento e o discernimento dela”, detalhou o procurador público adjunto Pascal Labonne-Collin.

Quando questionado pelas autoridades, o marido de 62 anos confirmou o encontro sexual do casal com outras pessoas, defendendo no entanto que mulher teria dado o consentimento para participar nas relações sexuais. Já ela, de 44 anos, disse que “tinha consumido álcool e não tinha nenhuma memória daquela noite”, tendo de seguida apresentado queixa contra o marido.

O sexagenário foi detido e encontra-se sob custódia das autoridades francesas enquanto decorre a investigação. É acusado dos crimes de submissão química bem como de agressão sexual.

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O caso de Pelicot que se tornou num símbolo mundial contra a submissão química e a agressão sexual

Este caso veio recordar o que se passou em 2024,  quando Gisèle Pelicot ficou conhecida não só em França, mas em todo o mundo. No julgamento em que a mulher de 71 anos era vítima de submissão química e de centenas de agressões sexuais promovidas pelo próprio marido decidiu abdicar do direito à privacidade e dar a cara em tribunal, não só por si mas pelas muitas vítimas de crimes sexuais em todo o mundo.

Pelicot foi violada centenas de vezes por mais de 80 homens entre 2010 e 2020. O crime que chocou França envolveu um planeamento detalhado dos atos de violência sexual pelo próprio marido. Dominique Pelicot drogou sucessivamente a mulher, colocando-a num estado de inconsciência total, e convidou estranhos, que conhecia online, para a violarem na casa de ambos. “Pu-la a dormir, ofereci-a e filmei“, confessou o agressor quando foi detido.

O julgamento do caso começou em setembro no Tribunal de Avignon, no sul de França, e terminou no final de dezembro, com o agressor a ser condenado a 20 anos de prisão, a pena máxima pelo crime de que estava acusado.

A maioria dos homens que falavam com Dominique para violar a sua mulher moravam perto de Mazan. Tinham idades muito variáveis, entre 27 e 74 anos. Todos os que foram identificados, e que consequentemente se sentaram no banco dos réus do tribunal francês, foram considerados culpados e condenados com penas entre três e 15 anos de prisão, apenas dois deles com penas suspensas.