Numa altura em que os norte-americanos pressionam cada vez mais a administração de Donald Trump para divulgar informação sobre o caso de Jeffrey Epstein, fontes da Casa Branca adiantaram à CNN que o governo está a considerar tornar pública a transcrição da audição do Departamento de Justiça a Ghislaine Maxwell. Dois dos três funcionários citados pelo órgão dizem que a publicação da entrevista do vice-procurador-geral e antigo advogado de Donald Trump, Todd Blanche, à ex-namorada e cúmplice de Jeffrey Epstein, poderá estar “para breve”.

Um dos funcionários entrevistados pela CNN disse que algumas partes da gravação, que podem revelar detalhes como os nomes de vítimas, ainda têm de ser cortadas, mas confirmaram que o áudio está a ser transcrito e digitalizado. Mas “ainda não foi tomada uma decisão final”, as discussões ainda estavam em curso na manhã desta terça-feira.

Ao passo que dois dos membros da administração que falaram com a CNN disseram que, caso seja dado um parecer favorável, o documento vai ser divulgado “em breve”, o terceiro comentou que tal ainda pode demorar “várias semanas”. Não foi possível apurar se o Departamento de Justiça e a Casa Branca estão de acordo neste assunto.

Contudo, a CNN avança também que tem havido debate dentro do Executivo sobre a possibilidade de a divulgação trazer o caso Epstein de volta a praça pública . O diretor de comunicação da Casa Branca, Steven Cheung, chegou a acusar o órgão norte-americano de tentar “desesperadamente criar notícias a partir de assuntos antigos”.

Acusada de ser o “cérebro” por trás da operação de Jeffrey Epstein, Ghislaine Maxwell foi condenada a 20 anos de prisão em 2022, por tráfico sexual de menores,  tendo continuado a recorrer aos tribunais desde então. A socialite britânica cumpria a pena numa penitenciária em Tallahaasse, na Flórida, até que, no início do mês, e depois da audição com Todd Blanche em julho, foi transferida para a prisão de Bryanb, no Texas, com melhores condições.

Maxwell chegou a ser intimada a testemunhar no Congresso norte-americano para esclarecer o assunto, tendo a sua equipa legal imposto condições, como a imunidade. Apesar de esta hipótese ter sido rejeitada, também foi apresentada a possibilidade de Maxwell receber um perdão presidencial de Donald Trump, que não descartou a possibilidade.

Jeffrey Epstein foi acusado e preso em 2019 por operar uma rede de tráfico e abuso sexual de menores, que supostamente geria com a ajuda de Ghislaine Maxwell. O magnata viria a cometer suicídio na cadeia, mas a sua morte alimentou uma teoria de conspiração, que sustenta que este foi morto para ocultar os nomes dos seus clientes, sendo que muitos dos quais são, supostamente, figuras públicas e influentes.

Conhecida como “a lista de Epstein”, o  FBI e o Departamento de Justiça investigaram a existência do documento e consideraram não haver provas suficientes para provar a sua existência. As diligências foram realizadas a pedido de Donald Trump, que prometeu aos seus apoiantes, durante a campanha presidencial de 2024, que divulgaria a verdade sobre o caso.

No entanto, muitos dos seus eleitores ficaram insatisfeitos com o parecer oficial, o que levou a tensões entre o chefe de Estado e os seus apoiantes. Segundo o Wall Street Journal, o próprio Presidente norte-americano tinha sido avisado, em maio, que o seu nome constava dos ficheiros do processo.

Texto editado por Dulce Neto