A morte da jornalista ucraniana Viktoriia Roshchyna em outubro do ano passado veio trazer à tona as práticas da prisão de Taganrog graças ao Projeto Viktoriia, uma investigação do jornal britânico The Guardian juntamente com outros parceiros. Perto de um ano depois, o diretor da prisão, Aleksandr Shtoda, é agora suspeito de cometer crimes de guerra e foi esta quinta-feira formalmente colocado sob investigação pela polícia nacional da Ucrânia e pelo procurador-geral para crimes de guerra.
Os funcionários da prisão de Taganrog, que fica perto da fronteira com a Ucrânia, na região de Mariupol, são acusados de supervisionar a tortura e a fome de centenas de detidos ucranianos, como foi o caso de Viktoriia Roshchyna, que passou nove meses naquela prisão depois de ter sido capturada enquanto trabalhava infiltrada nos territórios ocupados. A sua morte foi confirmada a 10 de outubro e o corpo apresentava vários sinais de tortura.
O Projeto Viktoriia, que teve também o apoio dos serviços de inteligência do Ministério da Defesa ucraniano, concluiu que a jornalista foi “submetida a tortura sistemática, humilhação, ameaças, restrições severas ao acesso a cuidados médicos, água potável e alimentos, e foi privada de dormir ou sentar-se durante o dia”. Foi ainda “submetida a castigos físicos e pressão psicológica”.
Por sua vez, o diretor de Taganrog terá dado pessoalmente ordens para ser exercida “pressão física e psicológica” sobre Viktoriia. “Ciente do seu estatuto e da proteção garantida pelo direito internacional humanitário, Shtoda violou deliberadamente as normas da Convenção de Genebra e outros tratados internacionais.”
Na direção de Aleksandr Shtoda, que começou em 2022, “foi organizado um sistema de tratamento repressivo de cidadãos ucranianos detidos ilegalmente, incluindo civis”, afirmam as autoridades ucranianas em comunicado, levando a que “as ações do arguido tenham sido qualificadas como crime de guerra, de acordo com as normas internacionais”, concluem.