A morte de Viktoria Roshchyna, jornalista ucraniana que tinha sido detida pelas autoridades russas em agosto de 2023, foi confirmada esta quinta-feira pelo porta-voz do quartel general de coordenação do tratamento dos prisioneiros de guerra da Ucrânia. Petro Yatsenko adianta que as causas da morte ainda estão a ser investigadas.

De acordo com o seu pai, Volodymyr, a jornalista partiu para o leste da Ucrânia no âmbito de uma reportagem em territórios ocupados pela Rússia, mas depois de nove dias sem dar notícias, foi dada como desaparecida pelas autoridades ucranianas. Passaram-se cerca de sete meses desde que fez o último contacto com a sua família, quando Volodymyr recebeu uma carta do Ministério da Defesa da Rússia, com a notificação da detenção da filha.

De acordo com a informação disponível, Roschyna Viktoriya Volodymyrivna, nascida no dia 6 de outubro de 1996, foi detida e está a ser mantida em território da Federação Russa.

O jornal ucraniano Hromadske, onde Viktoria trabalhou, avança que o pai terá apelado à intervenção do Comité Internacional da Cruz Vermelha, que confirmou a as suas condições, mas que não tinham qualquer acesso à jornalista. Um porta-voz  dos Serviços Secretos da Ucrânia, Andriy Yusov, revelou que existiram planos para uma troca de prisioneiros que incluía Viktoria, mas que o acordo acabou por não se concretizar.

O seu regresso tinha sido assinado e é essa a última informação que temos. Estava a ser transportada para Lefortovo em preparação para a sua viagem para casa.

A morte da jornalista terá ocorrido, alegadamente, durante a sua transferência de Taganrog — perto da fronteira com a Ucrânia, na região de Mariupol — para a prisão de Lefortovo, em Moscovo, segundo a notificação enviada ao pai de Viktoria pelo Ministério da Defesa da Rússia.

Prometo que vamos fazer tudo o que for possível para ter a certeza de que os responsáveis pela sua morte são levados à justiça — Yaroslav Yurchyshyn, presidente da Comissão Parlamentar ucraniana para a liberdade de expressão.

Esta não foi, no entanto, a primeira vez que Viktoria Roshchyna ficou sob custódia das autoridades russas. Em 2022, no início do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, Viktoria estava na linha da frente, a noticiar tudo o que se passava no campo de batalha. Passou um mês de guerra e a jornalista foi capturada pelos Serviços Secretos russos (FSB). Esteve detida durante 10 dias, tendo sido libertada depois de ter gravado um vídeo a refutar as alegações que tinha avançado sobre as FSB. Com o regresso à Ucrânia, Viktoria retomou a atividade de cobertura do conflito, acabando por receber o prémio de “Coragem no Jornalismo” da Fundação Internacional de Mulheres nos Media.