A situação dos incêndios florestais a devastar Espanha continua a agravar-se, havendo a registar mais duas vítimas mortais — ambas na região de Castela e Leão — e vários feridos. A Unidade Militar de Emergências tem 1000 efetivos no terreno para responder às dezenas de ocorrências que se vão somando de norte a sul do país, sendo que se prevê que a noite traga mais vento, dificultando o combate às chamas.

Uma das vítimas mortais, noticiou a agência EFE, é um voluntário de 36 anos que estava a atentar ajudar com uma roçadeira no combate ao incêndio florestal de Molezuelas de la Carballeda, declarado no domingo em Zamora, mas que passou nesta segunda-feira para a província de Leão. “Lamento profundamente o falecimento de um voluntário enquanto realizava trabalhos de combate aos fogos em Leão”, escreveu o Presidente do Governo, Pedro Sánchez, na rede X.

A esta morte soma-se a de um homem romeno de 50 anos que faleceu com queimaduras em 98% do corpo ao tentar salvar os cavalos de uma produção agrícola em localidade de Tres Cantos, um subúrbio a norte de Madrid. “Lamento profundamente a morte do homem que ficou gravemente ferido no incêndio florestal de Tres Cantos”, a 23 quilómetros a norte da capital, escreveu a presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, nas redes sociais, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Centenas de moradores foram retirados do bairro afetado, segundo as autoridades. No entanto, a região onde mais gente foi forçada a deslocar-se é em Castela e Leão, onde mais de 5000 foram alvo de operações de evacuação. A estas somam-se 2.000 em Cádiz e 180 em várias áreas residenciais ao norte de Madrid, escreve o El País.

Em Castela e Leão concentram-se os piores incêndios do país — que, inclusive, afetaram o sítio arqueológico de Las Médulas, considerado Património Mundial da Unesco. Além dos dois mortos a registar, há ainda alguns civis feridos como resultado do combate ao incêndio de Puercas, em Zamora. A EFE menciona entre “três e cinco pessoas” cujas queimaduras, em princípio, não serão graves, mas foram transportadas de ambulância para o Hospital Virgen de la Concha.

Na província vizinha da Galiza, no município de Oímbra, em Ourense, dois bombeiros ficaram feridos e estão hospitalizados com prognóstico reservado, sendo que um outro civil ficou ferido no posto de bombeiros de Santiso, em Maceda. Este incêndio chegou mesmo a forçar uma interrupção do serviço ferroviário de alta velocidade entre Santiago de Compostela e Ourense, e também entre Madrid e a Galiza, entretanto retomado.

Esta série de incêndios coincide com a vaga de calor que entrou esta terça-feira no décimo dia, com todas as regiões em alerta, incluindo as do Norte. As temperaturas máximas são de 40 graus Celsius (°C) e as temperaturas noturnas não descem abaixo dos 25 °C.

Face à situação, o Ministério do Interior ativou de madrugada o nível um, de dois, da Situação Operacional do Plano Geral de Emergência do Estado (PLEGEM) e declarou a fase de pré-emergência.

Em várias regiões, porém, os incêndios tomaram proporções que levaram as autoridades locais a considerá-los fogos de nível de emergência 1 e 2, sendo que a situação dever-se-á agravar durante a noite, como o próprio Pedro Sánchez admitiu em comunicação ao país.

“A noite será complicada em muitas zonas de Espanha”, avisou, pedindo à população para ter “muito cuidado” e para “seguir as recomendações das autoridades”. Em causa está a intensificação do vento, que não só dificulta o combate às chamas como promove focos de reacendimento.

Entretanto, nesta terça-feira, foram também divulgadas as detenções de duas pessoas por suposta responsabilidade em incêndios ocorridos nos últimos dias. Uma trata-se de uma mulher de 63 anos de Muxía (A Coruña), suspeita de ter provocado cinco incêndios. A outra pessoa é um bombeiro, que terá provocado um incêndio que destruiu aproximadamente 2.200 hectares em 28 de julho em Ávila supostamente tendo como motivação “interesses laborais”. O Tribunal de Primeira Instância e Instrução de Arenas de San Pedro decretou a sua prisão preventiva, comunicada e sem direito a fiança.

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Nota: notícia corrigida às 10h30 com a indicação de que são dois e não três os mortos nos incêndios em Espanha