A atravessar uma onda de calor persistente, Espanha tem sido fustigada por dezenas de incêndios florestais que já provocaram a morte a duas pessoas e ferimentos em outras sete, obrigaram à evacuação de milhares de habitantes e queimaram cerca de 50 mil hectares de território. Os incêndios, que afetam várias regiões — sobretudo nas zonas sul e noroeste do país — poderão estar a ser exacerbados pelas temperaturas recorde registadas nos últimos dias, no mês de agosto mais quente de sempre em Espanha, segundo as medições da própria Agência Estatal de Meteorologia (Aemet).
Esta quarta-feira, o El País avançou que sete pessoas ficaram feridas (incluindo quatro em estado grave) na sequência de queimaduras sofridas nas províncias de Leão e Zamora. Foram assistidas na Unidade de Queimaduras do Hospital Universitário Río Hortega, em Valladolid, o maior hospital da região. Quatro deles estão em estado crítico: uma mulher de 56 ano, um homem de 64 anos, um homem de 36 anos e um homem de 37 anos.
Para além dos feridos, já se registaram dois mortos. Uma das vítimas mortais é um voluntário de 36 anos que estava a tentar ajudar com uma roçadeira no combate ao incêndio florestal de Molezuelas de la Carballeda, que deflagrou no domingo em Zamora, mas que passou nesta segunda-feira para a província de Leão. O voluntário acabou por perder a vida no município de Nogarejas, quando “duas línguas de fogo se juntaram de forma inesperada”, explicou o ministro do Ambiente de Castela e Leão, Juan Carlos Suárez-Quiñones. Uma outra pessoa ficou ferida com queimaduras, segundo a RTVE.
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, lamentou “profundamente” a morte e transmitiu as condolências à família. “Todo o meu carinho e minhas mais sinceras condolências à sua família, amigos e colegas”, escreveu Sánchez na rede social X.
Lamento profundamente el fallecimiento de un voluntario mientras realizaba labores de extinción en León.
Todo mi cariño y mi más sentido pésame a su familia, amigos y compañeros.
Mucha fuerza y una pronta recuperación a las personas heridas en ese mismo incendio.
— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) August 12, 2025
A esta morte soma-se a de um homem romeno de 50 anos que morreu com queimaduras em 98% do corpo ao tentar salvar os cavalos de uma fazenda na localidade de Tres Cantos, um subúrbio a norte de Madrid. O homem, que era amigo dos donos do espaço, morreu depois de ter sido apanhado pelo fogo. Um outro homem ficou ferido com queimaduras. Morreram ainda vários cavalos, segundo testemunhou, no local, o jornal El Mundo.
Bombeiros e civis feridos
Nos últimos dias, há ainda registo de vários feridos. Na Galiza, no município de Oímbra, em Ourense, dois bombeiros ficaram feridos e estão hospitalizados com prognóstico reservado, sendo que um outro civil ficou ferido. Este incêndio chegou mesmo a forçar uma interrupção do serviço ferroviário de alta velocidade entre Santiago de Compostela e Ourense, e também entre Madrid e a Galiza, entretanto retomado. Na província de Zamora, na região de Castela e Leão, “três e cinco pessoas” ficaram feridas com queimaduras.
Os incêndios já obrigaram as autoridades a evacuar várias localidades, com milhares de pessoas forçadas a abandonar as casas. Em Castela e Leão, pelo menos oito mil pessoas foram retiradas das aldeias de Yeres e Molezuelas de la Carballeda, enquanto outras duas mil foram retiradas das zonas próximas de um incêndio em Tarifa, na região da Andaluzia (no sul do país).
Só na última semana, os fogos que assolam Espanha já queimaram 53.499 hectares, segundo dados do sistema de incêndios florestais europeus, citados pelo El País. Os incêndios dos últimos dias já representam mais de metade de toda a área ardida desde o início do ano, ou seja, cerca de 98 mil hectares. O volume de área ardida supera em muito a média dos últimos 18 anos até meados de agosto, que está em em cerca de 53 mil hectares.
Agosto mais quente de sempre em Espanha
Esta série de incêndios coincide com a vaga de calor que entrou esta terça-feira no décimo dia, com todas as regiões em alerta. Esta terça-feira foi, aliás, o dia mais tórrido de todo o verão, segundo a Agência Estatal de Meteorologia. A agência sublinha que, até agora, este é o mês de agosto mais quente de que há registo. “Não há precedentes de um período entre 1 e 20 de agosto tão quente como o de 2025”, frisa aquele organismo. De acordo com a Aemet, 165 estações de medição de temperatura atingiram os 40 graus esta terça-feira, sendo que 62 destas estações ultrapassaram mesmo os 42 graus.
Em Badajoz e Sevilha foi mesmo ultrapassado a cifra dos 45 graus (45,5 e 45,2, respetivamente), sendo que em Tablada (Sevilha) a temperatura mínima não baixou dos 29,8 graus. A agravar a situação, fazendo aumentar o risco de incêndio, estiveram as tempestades registadas em algumas zonas da Península Ibérica, um fenómeno que se deverá repetir esta quarta-feira, alerta a Aemet, embora se espere uma descida das temperaturas. Um alívio temporário, uma vez que, na quinta-feira, a previsão é nova subida das máximas.