A Unbabel foi comprada pela empresa norte-americana de tradução Transperfect, depois de em julho ter sido noticiado que estava à procura de um comprador. A informação sobre a venda foi avançada por Vasco Pedro, cofundador e CEO da Unbabel, ao jornal Eco.
Vasco Pedro não revela o montante envolvido nesta operação, justificando que não está “autorizado a falar sobre os detalhes”. A Transperfect, descrita por Vasco Pedro como “a maior empresa de tradução do mundo”, vai ficar com a totalidade da Unbabel. A scaleup portuguesa “vai fazer parte da Transperfect”. Vasco Pedro vai continuar na empresa para “supervisionar a integração”, é detalhado num comunicado.
Nessa nota, a Unbabel indica que o negócio permite que “a tecnologia de última geração e o talento de investigação” tenham agora “uma plataforma global para escalar”. As tecnologias de tradução com IA da Unbabel, o TowerLLM e o COMET vão passar a integrar o portefólio da empresa norte-americana.
Phil Shawe, presidente e cofundador da TransPerfect, afirma que “Unbabel é uma pioneira no desenvolvimento de modelos de IA para uso em tradução”. Shawe descreve a combinação das capacidades tecnológicas das empresas “como uma grande vitória” para os “clientes em comum — e continuaremos a impulsionar a eficiência através da inovação”, diz em comunicado.
Na entrevista ao Eco, Vasco Pedro diz que não haverá planos para que a marca Unbabel desapareça, mas sim que fique como uma “unidade de negócio dentro da Transperfect”.
Em relação aos funcionários, o CEO afirma que a “vasta maioria das pessoas da Unbabel vai passar para a Transperfect”. O Observador contactou a Unbabel para obter mais informação sobre esta venda, assim como quantos trabalhadores é que deverão transitar para a empresa norte-americana, aguardando resposta. De acordo com o seu site, a empresa tem 213 trabalhadores.
O comunicado da Unbabel diz que a equipa “passará a integrar as operações da TransPerfect em Lisboa”, mencionado a localização na capital como “um centro-chave de investigação e inovação em IA na Europa”
A venda da Unbabel, que em tempos teve ambições de ser um unicórnio, foi noticiada em julho, depois de um recuo por parte da Iberis Capital, devido à existência de “passivos inesperados”. Em julho, o Observador noticiou que a empresa teria “os dias contados”, a partir de relatos de ex-funcionários.
A Unbabel tem “os dias contados”? O que se passa com a empresa que há muito ambiciona ser unicórnio
Na entrevista, Vasco Pedro afirma que “qualquer empresa no decurso do seu negócio é passível de ter passivos mínimos (…)”. Diz ainda que a questão da Iberis “é interna e que não faz sentido, mas foi muito empolada”. Fala ainda em situação de “drama” que se fez à volta enquanto estavam “em negociações com três ou quatro potenciais compradores”, recusando-se a nomear empresas.
A Unbabel é a empresa que lidera o consórcio do PRR para o desenvolvimento de inteligência artificial responsável, o Centro para a IA Responsável. Com a venda a liderança terá de passar para outro parceiro, diz Vasco Pedro.
A empresa portuguesa foi criada em 2013. No início deste ano, foi notícia pela redução do número de trabalhadores, confirmando que tinha “em curso um processo de reestruturação, que visa adaptar a empresa à evolução do mercado”. A empresa não revelou quantas pessoas é que foram afetadas.
Unbabel reduz equipa. Tecnológica portuguesa fala “processo de reestruturação” em curso
Noutros anos, o cenário era diferente, com a Unbabel a ser notícia pelas aquisições. Em 2023, comprou a alemã EVS Translations e a israelita Bablic. Em 2021, já tinha adquirido a Lingo24, uma ‘rival’ especializada em tradução com base em inteligência artificial.