Uma segunda mulher apresentou queixa de abuso sexual contra Karim Khan, o procurador-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI). Segundo o The Guardian, que avança a notícia, a mulher alega que, quando trabalhava para Khan ainda este era advogado no início de carreira, o procurador-geral do TPI se comportou de forma inadequada, sujeitando-a a avanços sexuais indesejados. Um relato idêntico ao que foi divulgado pela primeira mulher a acusar o homem de má conduta sexual.

Khan, que nega qualquer tipo de má conduta sexual, afastou-se temporariamente do cargo de chefe da divisão de acusação do TPI. Lançado no ano passado, o inquérito do organismo de vigilância da ONU recebeu as novas alegações da segunda mulher este verão. Terão sido efetuadas várias entrevistas para analisar as alegações desta mulher, que remontam a 2009.

Ao jornal britânico, a segunda alegada vítima que diz ter sido abusada quando tinha 20 anos e trabalhava como estagiária não remunerada para Khan. Afirma que o homem abusou do poder e influência que tinha sobre ela e descreveu o seu comportamento como uma “investida constante” de avanços de cariz sexual. “Ele não devia ter feito isso, era o meu patrão”, afirmou.

O relato contém várias semelhanças com as alegações da primeira funcionária, que não fez queixa diretamente numa primeira fase, mas cujos alegados abusos foram conhecidos através do testemunho de outros funcionários a quem confidenciou os episódios de abuso. Ambas as mulheres alegaram que o chefe lhes pedia para irem trabalhar com ele para sua casa. Nesse espaço íntimo e pessoal, Khan é acusado de se sentar ao lado delas no sofá, tocando-lhes, tentando beijá-las e pressionando-as a ter relações sexuais com ele.

Foram as primeiras alegações a virem a público sobre o comportamento inapropriado de Khan que motivaram esta mulher a apresentar queixa e a falar com o The Guardian sob a condição de anonimato, uma vez que teme represálias e consequências adversas se for identificada publicamente.

O escritório de advocacia que representava Khan, Carter-Ruck, respondeu ao pedido de reação do jornal britânico afirmando que o procurador-geral tem um histórico impecável e negou as alegações. Alega que Khan “foi alvo de uma campanha orquestrada” e garante que ele estava ciente das tentativas de “desacreditá-lo e destruir sua reputação pessoal por meio dos meios de comunicação social, como consequência direta de seu papel na emissão de mandados de prisão” contra figuras como Benjamin Netanyahu e Vladimir Putin.

[Meses depois de confessar o crime, o assassino de Sartawi é finalmente julgado. Mas, numa reviravolta, o terrorista do quarto 507 garante que é inocente. Como vai tudo acabar? “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Ouça no site do Observador o sexto e último episódio deste Podcast Plus narrado pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Também o pode escutar na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui e o quinto episódio aqui]