Foi o dia mais difícil de Ruben Amorim como treinador do Manchester United. Mesmo com tudo o que aconteceu na temporada passada, mesmo com a derrota na final da Liga Europa, mesmo com o facto de ainda não ter vencido esta época, nada se compara à derrocada da passada quarta-feira — e o treinador português teve total e completa noção disso mesmo.

Depois de investir cerca de 200 milhões de euros no mercado de transferências e com uma derrota e um empate nas primeiras duas jornadas da Premier League, o Manchester United foi eliminado pelo Grimsby Town na segunda ronda da Taça da Liga. Ou seja, trocado por miúdos, o Manchester United foi eliminado por uma equipa do quarto escalão do futebol inglês na segunda ronda da Taça da Liga. E, de forma natural, Ruben Amorim foi a figura central da hecatombe.

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Para além de todas as notícias sobre a forma como agiu durante o jogo, resguardando-se num quadro tático quando estava a perder e recusando-se depois a assistir às grandes penalidades, o treinador português foi rapidamente questionado na imprensa inglesa e depressa surgiram nomes de possíveis substitutos — com o jornal The Guardian, na verdade, a acrescentar que o receio atual do Manchester United é que seja o próprio Ruben Amorim a decidir demitir-se.

Neste contexto e depois de se ter apresentado ao trabalhado às 7h da manhã de quinta-feira, mesmo tendo chegado a Carrington já de madrugada depois do jogo em Blundell Park, Ruben Amorim voltava a ter um teste sob pressão absoluta este domingo e na receção ao Burnley. Ainda visivelmente cabisbaixo, com uma postura corporal triste que também tem sido mais do que analisada nos últimos dias, o treinador português não escondeu o momento complexo que a equipa atravessa durante a conferência de imprensa.

“Para ser sincero, todas as vezes que tivermos uma derrota como esta vou agir assim. Vou dizer que às vezes odeio os meus jogadores, às vezes amo-os, às vezes quero defendê-los. Esta é a minha maneira de fazer as coisas e eu vou agir assim. E senti isso naquele momento, estava muito frustrado e irritado. E sei, mais uma vez, que vocês têm muitas pessoas experientes que falam sobre como eu deveria lidar com a imprensa, para ser mais constante, para ser mais calmo. Eu não vou agir assim”, começou por dizer, abordando depois a possibilidade de “desistir” do cargo.

“Senti isso depois do jogo. Agora já não sinto. É mais ou menos assim. Acho que essa é a parte mais difícil da derrota. Às vezes quero desistir, outras vezes quero ficar aqui por 20 anos. Às vezes adoro estar com os meus jogadores, outras vezes não quero estar com eles. Então, mais uma vez, preciso melhorar nesse aspeto. Vai ser difícil. Mas agora estou bem”, acrescentou.

Assim, este domingo e em Old Trafford, Ruben Amorim não abdicou do sistema que tem sido tão criticado e lançou Mason Mount e Mbeumo no apoio a Matheus Cunha, com Bruno Fernandes e Casemiro no meio-campo e Amad Diallo e Diogo Dalot nos corredores. Do outro lado, num Burnley que vinha de uma vitória e uma derrota nas duas jornadas iniciais, Scott Parker apostava em Lyle Foster como referência ofensiva.

O Manchester United abriu o marcador ainda dentro do quarto de hora inicial, com Casemiro a cabecear à trave depois de um livre na esquerda e a bola a desviar em Josh Cullen, que acabou por fazer autogolo (27′). Pouco depois, porém, Ruben Amorim foi forçado a fazer a primeira substituição devido a uma lesão muscular de Matheus Cunha, que foi rendido por Joshua Zirkzee. Ao intervalo, ainda assim, os red devils estavam a vencer pela margem mínima.

O treinador português voltou a mexer no início da segunda parte, lançando Kobbie Mainoo no lugar de Mason Mount, mas o Manchester United só demorou dez minutos a sofrer o empate, com Lyle Foster a desviar praticamente sozinho na área depois de um cruzamento na direita (55′). Dois minutos depois, contudo, os red devils recuperaram a vantagem: Diogo Dalot desequilibrou na esquerda e cruzou atrasado e rasteiro para a área, onde Mbeumo apareceu a rematar para marcar (57′).

Mas o resultado não estava fechado. Já depois da hora de jogo e na sequência de um canto na esquerda, a defesa do Manchester United foi demasiado permissiva e concedeu o desvio final de Jaidon Anthony, que empatou novamente (66′). Já dentro do período de descontos, contudo, Amad Diallo sofreu falta do mesmo Jaidon Anthony no interior da grande área contrária e Bruno Fernandes, convertendo a consequente grande penalidade, carimbou a nova vantagem (90+7′). O Manchester United venceu o Burnley em Old Trafford e somou a primeira vitória da temporada, respondendo de maneira sofrida mas positiva à derrocada a meio da semana.