Rodou alguns jogadores, manteve algumas unidades que pudessem fazer a diferença, olhava para o encontro como se fosse quase um pro forma antes de mais uma jornada da Premier League, frente ao Burnley. Antes da partida com o Grimsby Town na segunda ronda da Taça da Liga, Ruben Amorim falava no passo atrás que o Manchester United teria de dar para construir uma nova base, voltar a ser competitivo, lutar por posições mais altas do Campeonato e, então sim, regressar de forma conveniente às provas europeias, assumindo que o atual plantel não seria capaz de fazer mais do que as competições internas. No entanto, a deslocação ao terreno da equipa do quarto escalão inglês acabaria por ter muito mais história. Neste caso, de pesadelo.

Mais uma humilhação numa época ainda sem vitórias: United perde com Grimsby Town, do 4.º escalão, e é eliminado da Taça da Liga

A perder ao intervalo, o técnico português começou a lançar parte da artilharia pesada logo no arranque da segunda parte para recuperar de dois golos de desvantagem, viu Mbeumo estrear-se a marcar pelo novo clube e acabou por ser resgatado com o empate de Harry Maguire em cima do minuto 90, levando todas as decisões para as grandes penalidades. Aí, num momento também ele atípico com 26 tentativas de conversão, Matheus Cunha falhou a oportunidade de carimbar a passagem à ronda seguinte da Taça da Liga e Mbeumo, com um remate à trave, confirmou de vez uma das maiores humilhações da história do clube e da própria carreira do treinador que, durante o jogo, já vinha a ser criticado pela forma como se sentou no banco a desenhar com peças a estratégia para a segunda parte e por ter ficado no sentado no banco nos penáltis.

Em relação a isso, Amorim passava ao lado de tudo. No que toca ao resto, estava frustrado. Tão frustrado que, pela primeira vez e de forma aberta, decidiu apontar a mira à atitude dos jogadores, assumindo mesmo uma postura de choque perante a eliminação com o Grimsby Town. “Resultado? No final, não importa se recuperamos ou não, o que importa são os sinais que a equipa deu durante o jogo e no início do jogo. Acho que a melhor equipa ganhou, foi a única equipa que esteve em campo. Os melhores jogadores perdem porque qualquer equipa pode ganhar contra qualquer grupo de jogadores. Acho que a equipa e os jogadores falaram muito alto hoje. É isso, perdemos, a melhor equipa ganhou”, comentou à Sky Sports.

“Acho que ficou bem claro o que eles disseram, então vamos seguir em frente a partir de hoje e acho que ficou claro para todos o que aconteceu hoje. A forma como começámos o jogo, sem qualquer intensidade, toda a ideia da pressão… Estávamos completamente perdidos e é por isso que acho que eles falaram muito alto. Acho que esse é o problema. Quando se perde mas se vê algo novo, é diferente. Quando se vê algo como hoje, é difícil falar sobre isso. Só quero dizer que sinto muito pelos adeptos. O apoio que me deram, o apoio que têm dado à equipa… Não tenho nada a dizer. Sinto muito mesmo”, reforçou. “Algo vai ter de mudar e não será outra vez trocar 22 jogadores para isso. Acho que eles [os jogadores] deram a resposta em campo hoje, então não preciso falar mais sobre isso. Temos um jogo no fim de semana, depois temos duas semanas e vamos resolver as coisas”, acrescentou a esse propósito, recordando a pausa para seleções.

Ainda na mesma zona de entrevistas rápidas, Ruben Amorim acabou por “ilibar” Andre Onana da derrota apesar de mais uma falha que acabou por levar ao segundo golo do Grimsby Town. “Com todo o respeito, quando se perde para uma equipa da 4.ª Divisão, a culpa não é do guarda-redes. É tudo. É o ambiente, é a forma como enfrentamos a competição. Sabemos que, neste momento, as pessoas vão prestar atenção a tudo. Cada detalhe vai ser importante. Mostramos o nosso desempenho hoje, por isso, para mim, os meus jogadores falaram bem alto”, voltou a apontar o técnico português, visivelmente agastado com o jogo.

“Não estivemos bem, especialmente na primeira parte. Entregámos o jogo. Demos exatamente o que eles queriam, a vitória nos duelos, as segundas bolas, as jogadas ensaiadas. Tentámos reagir, era o mínimo que podíamos fazer pelos adeptos que viajaram para nos apoiar mas acabou por não ser suficiente. Não podemos chegar aqui e pensar que vai ser tudo fácil porque esta competição, este clube… Eles lutaram muito para merecerem seguir em frente. Só que isso não deveria ser suficiente para nos ganharem, devíamos ter feito muito mais. O que falhou? Não foi apenas a qualidade mas os padrões mínimos que nos são exigidos em cada jogo. A melhor forma de respeitarmos o Grimsby era chegar aqui e jogar a 100%. Julgo que é algo que precisamos de melhorar no futuro”, comentou também Diogo Dalot, aos meios do clube, após o jogo.

Depois de uma temporada para esquecer, que terminou como a pior época de sempre do Manchester United, o clube voltou a fazer um forte investimento para melhorar sobretudo o setor ofensivo, com as contratações de Matheus Cunha (Wolverhampton), Mbeumo (Brentford) e Benjamin Sesko (RB Leipzig) por um montante de quase 230 milhões de euros, a que se devem seguir ainda outras chegadas como a de um guarda-redes (Senne Lammens, do Antuérpia, foi o escolhido e está perto de chegar a Old Trafford). No entanto, e após uma pré-temporada com vitórias frente ao West Ham e ao Bournemouth e empates com Leeds, Everton e Fiorentina, os red devils ainda não ganharam qualquer jogo oficial entre a derrota com o Arsenal e o empate com o Fulham para a Premier League, e a eliminação da Taça da Liga frente ao Grimsby Town.

O próprio registo de Ruben Amorim no Campeonato continua a ser muito criticado em Inglaterra, tendo em conta que somou menos pontos do que jogos realizados (sete vitórias, sete empates e 15 derrotas, com 28 pontos em 29 encontros) e que não conseguiu ainda fazer uma série de dois triunfos consecutivos na prova. Os meios de comunicação ingleses falam de um “treinador condenado” após o desastre contra uma equipa do quarto escalão, adjetivado de “humilhante”. A hipótese de saída é cada vez mais ventilada, com o antigo selecionador inglês, Gareth Southgate, a ser apontado como principal hipótese para a substituição.

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