A Anacom está a acompanhar os desenvolvimentos sobre a suspensão dos envios postais de bens para os Estados Unidos da América. Num comentário escrito ao Observador, a autoridade de supervisão do setor das comunicações indica que “tem estado a acompanhar o assunto, nomeadamente junto dos prestadores de serviços postais, sobre o impacto da medida na sua atividade”.

Isto depois dos Estados Unidos terem emitido uma ordem executiva que acaba com o duty-free na entrada de bens até aos 800 dólares. Passaram não apenas a estar sujeitas a taxas alfandegárias, como foram alterados os procedimentos de entrada no país. Se inicialmente os CTT ainda pretendiam enviar bens até aos 100 dólares, esses envios também ficaram suspensos.

Trump quis acabar com “brecha catastrófica” mas a suspensão de envios para os EUA apanha grande parte das encomendas (até as ofertas)

A decisão de Donald Trump tem impacto no envio de bens, mas não nos documentos (ex: cartas). Aplica-se, recorda a Anacom, “também ao envio de bens efetuados através de serviços no âmbito do serviço universal. Neste contexto, de acordo com os CTT, a medida adotada impacta os seguintes serviços: correio normal – pacote postal, correio registado – pacote postal, correio azul – pacote postal, correio verde – bens, livros e encomendas postais”. Mas não responde sobre eventuais impactos na avaliação do cumprimento dos critérios de qualidade a que os CTT estão sujeitos.

De qualquer forma, a Anacom indica estar a acompanhar a situação a “nível europeu e internacional, em conjunto com as outras Autoridades Reguladoras, designadamente recolhendo informação de modo a avaliar o impacto desta suspensão”.

A Anacom tem recolhido dados sobre a abordagem de outras entidades reguladoras ao tema e “a desenvolver contactos com a Comissão Europeia no sentido de minimizar o impacto desta decisão sobre o serviço postal internacional e de entender o impacto sobre as obrigações de serviço universal a nível da União Europeia”.

A UPU (União Postal Universal) tem “encorajado” os operadores postais a estabelecer contacto com as respetivas transportadoras para facilitar a implementação das novas políticas alfandegárias, realça a Anacom que indica que este organismo vai em breve avaliar a situação e recomendar próximos passos e possíveis soluções. A associação de operadores europeus (de que os CTT são membros), PostEurop, está também em cima do acontecimento, assim como o Comité Europeu de Regulação Postal (CERP) da Conferência de Administrações de Correios e Telecomunicações (CEPT), que engloba 46 países europeus, que promoveu várias reuniões de coordenação com a PostEurop e com a Comissão Europeia.

São já mais de 40 os países que suspenderam os envios para os Estados Unidos.